- Vicente Valentim defende que a normalização da direita radical está ligada às elites políticas e ao abandono do consenso existente no Portugal pós-ditadura.
- O livro O Fim da Vergonha – Como a direita radical se normalizou, editado pela Oxford University Press e pela Gradiva, tem sido reconhecido com quase todos os prémios da área.
- Valentim tem 34 anos, é professor de Ciência Política na Universidade IE em Madrid e membro associado do Nuffield College, em Oxford.
- O académico revelou, em entrevista por videochamada a partir de Madrid, uma perspetiva interdisciplinar sobre como a política atual molda normas sociais.
Vicente Valentim, professor de Ciência Política na IE University, em Madrid, vê a normalização da direita radical como resultado das dinâmicas políticas atuais. O livro *O Fim da Vergonha – Como a direita radical se normalizou* tem recebido vários reconhecimentos na academia. O autor falou ao PÚBLICO por videochamada, a partir de Madrid, sobre os caminhos que a política tem tomado.
A obra analisa a relação entre elites políticas e o abandono do consenso que existia em Portugal no período pós-ditadura. Valentim sustenta que esse abandono facilita a ascensão de posições consideradas radicais dentro do eixo político dominante.
A tese é apresentada numa perspectiva interdisciplinar. O investigador, de 34 anos, é também membro associado do Nuffield College, em Oxford, e tem procurado ligar as normas sociais à prática política contemporânea. O livro foi editado pela Oxford University Press e pela Gradiva, reforçando o impacto da pesquisa no debate académico.
Contexto e impactos
Valentim explicou que a normalização da direita radical é um fenómeno que, segundo ele, é alimentado pelo que designa como normalização de discursos extremos no espaço público. A análise associa esse processo a mudanças na forma como se moldam consensos cívicos e eleitorais.
Segundo o autor, a leitura atual do fenómeno permite compreender como determinadas políticas ganham legitimidade social mesmo quando rompem com compromissos históricos. O estudo envolve dados, entrevistas e uma leitura crítica de contextos atuais.
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