- A Assembleia Municipal de Lisboa rejeitou a recomendação do PSD para atribuir o nome de Marcelino da Mata a um espaço da cidade.
- O voto foi contra pela maioria da esquerda e pela deputada Helena Ferro Gouveia ( CDS-PP).
- O PSD defendia que Marcelino da Mata, que morreu em 2021 vítima de covid-19, foi um militar condecorado pela sua atuação na frente de guerra da Guiné-Bissau.
- O debate gerou críticas do BE, que disse que a homenagem omite o contexto político da época, e viu o tema como parte de uma discussão histórica policial.
- Houve também apoio de Chega à substituição de outra referência (Rua Amílcar Cabral) pelo nome do militar, em meio a posições divergentes sobre a Guerra Colonial e o 25 de Abril.
A Assembleia Municipal de Lisboa rejeitou uma recomendação do PSD para atribuir o nome de Marcelino da Mata a um espaço da cidade. A votação, que ocorreu no Dia do Combatente, teve votos contra de PS, PAN, BE, PCP, PEV, LIVRE, IL e de Helena Ferro Gouveia (CDS-PP). A recomendação foi chumbada.
O PSD defendia que Marcelino da Mata, tenente-coronel que morreu em 2021 vítima de covid-19, é um dos militares mais condecorados do Exército Português, com várias distinções por ações na frente de combate da Guiné-Bissau. A toponímia visava homenagear esse percurso.
A deputada Helena Ferro Gouveia votou contra a proposta, ao lado da maioria da esquerda. O CDS-PP argumentou, em sentido contrário, que a iniciativa não deveria avançar. Os restantes partidos da oposição não alinharam com o posicionamento centrista.
Contexto da votação
Durante o debate, o Bloco de Esquerda criticou a escolha de apresentar a toponímia sem contexto histórico. O BE defendeu que o percurso do militar deve ser analisado sob a perspetiva de matérias como direitos humanos e responsabilidades históricas.
O deputado do Chega saudou a proposta, referindo que o oficial não terá sido alvo de crimes de guerra em tribunais, e sugeriu substituir uma rua dedicada a Amílcar Cabral por Marcelino da Mata. O objetivo seria alterar referências históricas consideradas por alguns como inadequadas.
Pelo PS, o voto contra baseou-se na leitura de que a iniciativa não integra apenas uma homenagem, mas envolve uma reabilitação de aspetos controversos do período colonial. O Livre apontou para uma figura com um histórico que suscita controvérsia.
O PCP defendeu que a proposta representa mais um ajuste de contas da direita com o 25 de Abril. A deputada socialista ressaltou que Marcelino da Mata teria traído o seu povo ao servir interesses do império colonial.
Repercussões
O debate incluiu críticas sobre como as condecorações da época se enquadram no contexto político. A discussão refletiu a leitura histórica de períodos de colonização e a forma como devem ser lembrados na toponímia pública.
Entre na conversa da comunidade