- De 2002 a 2025 foram assassinadas 709 mulheres em Portugal, com 939 vítimas de tentativa de homicídio.
- Em 2025 registaram-se 26 homicídios de mulheres, 22 femicídios, e 57 tentativas de homicídio (45 no contexto de femicídio).
- A maioria dos femicídios de 2025 ocorreu em contexto de intimidade, principalmente em casa, e as vítimas tinham entre 36 e 56 anos.
- O Observatório destaca que a casa continua a ser o lugar mais inseguro; 27% das vítimas não eram portuguesas e 80% dos casos envolveram violência já conhecida por terceiros.
- Os distritos com mais crimes foram Porto (100) e Portalegre (sete); os femicídios em 2025 ocorreram maioritariamente à noite, com uso de armas brancas em 55%.
Entre 2002 e 2025, Portugal registou 709 feminicídios, segundo o Observatório de Mulheres Assassinadas (UMA). Nesse período, 939 mulheres foram alvo de tentativa de homicídio. No último ano, foram sinalizados 22 femicídios, todos cometidos por homens, e 57 casos de tentativa de homicídio de mulheres.
Em 2025, o Observatório indica 26 homicídios de mulheres, dos quais 22 são femicídios, ou seja, mortes motivadas por género. Entre as 57 tentativas de homicídio, 45 ocorreram no contexto de femicídio. A coordenadora Cátia Pontedeira sublinha que a maioria dos femicídios ocorre em contexto de intimidade, com vítimas entre 36 e 56 anos, e em grande parte na casa partilhada com o agressor.
Para a presidente da UMAR, Liliana Rodrigues, o dado crucial é que a casa continua a ser o espaço mais inseguro para as mulheres, destacando a necessidade de resposta do sistema de justiça. O relatório indica ainda que, no último ano, 27% das vítimas eram de outra nacionalidade e que houve tentativa de ocultação do crime em 23% dos casos.
Contexto e dinâmica dos femicídios
Quase metade dos homicídios de mulheres contou com uma tentativa de suicídio por parte do agressor, e sete homens perderam a vida nessa situação. A coordenadora sublinha a importância de atuar junto dos agressores para evitar recidiva. Em média, os femicídios refletem violência prévia, conhecida por 80% das pessoas próximas.
Nesta linha, a equipa indica que os femicídios ocorrem maioritariamente à noite ou de madrugada, e que 55% dos casos em 2025 envolveram o recurso a armas brancas. O Observatório, criado em 2004, já sinalizou 709 homicídios de mulheres em Portugal ao longo de 22 anos, o que corresponde a uma média de 32 por ano.
Distribuição geográfica e padrões
O verão, entre junho e setembro, é o período de maior incidência. O distrito do Porto lidera com 100 crimes; o Portalegre registou sete casos, o valor mais baixo entre os distritos. Ainda assim, os femicídios ocorreram em todos os distritos, revelando uma dimensão nacional do fenómeno.
A grande maioria dos homicídios de mulheres (539) ocorreu por parte de companheiros ou ex-companheiros, sobretudo quando as vítimas procuram terminar a relação. A responsável pela estrutura indica que muitos casos envolvem resistência à separação e à autonomia feminina.
Implicação para políticas e resposta institucional
Os dados reforçam a necessidade de reforçar as medidas de proteção e a atuação das entidades da justiça criminal. Liliana Rodrigues destaca a urgência de reduzir o risco e de tornar a prisão efetiva uma prática comum, não exceção, nos casos de violência de género.
A UMAR conclui que a violência contra as mulheres não é episódica, exigindo respostas consistentes, prevenção contínua e intervenções eficazes junto dos agressores para reduzir a sua gravidade e recorrência.
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