- Mais de metade das pessoas em Portugal já recorreu à automedicação (51,85%), segundo estudo da Nova SBE divulgado em 2025.
- O fenómeno é mais frequente entre os jovens (25 a 34 anos) — 66,26% já automedicaram-se pelo menos uma vez; entre quem tem 85 anos ou mais, 39,62% nunca o fizeram.
- Mulheres e pessoas sem médico de família recorrem mais à automedicação.
- Investigadores avisam que a automedicação pode aliviar serviços de saúde se bem orientada, mas tem riscos como atrasos no tratamento de doenças graves e interações entre medicamentos; é necessário acesso a informação clara e estruturas de proximidade para orientar o utente.
- As farmácias continuam a ser o local principal de obtenção de medicamentos; 38,2% dos que se automedicaram usaram fármacos já disponíveis em casa; os motivos mais comuns são gripe/constipação (53,05%) e dores de cabeça (21,12%).
Desde a Nova SBE, investigadores divulgam um estudo que revela que a automedicação é prática comum em Portugal, incluindo para saúde mental. Mais de metade dos inquiridos já recorreu a automedicação, muitas vezes sem informar o médico.
O relatório, referente a 2025, baseia-se em entrevistas com mais de 1.600 pessoas de várias regiões, classes sociais e faixas etárias. O objetivo é perceber quando a automedicação é adequada e quando pode colocar a saúde em risco.
A equipa liderada por Pedro Pita Barros e Carolina Santos aponta para a necessidade de um apoio estruturado à automedicação, com informação clara e redes de proximidade para orientar o utente e facilitar a cooperação entre prestadores.
Contexto e principais resultados
Mais de 51% dos inquiridos já automedicaram-se, segundo o estudo, considerando a prática mais disseminada do que se reconhece. O fenómeno é mais comum entre jovens entre 25 e 34 anos, com 66,3% a admitir automedicação.
Entre os mais velhos, 85 anos ou mais, 39,6% afirmaram nunca ter recorrido a automedicação. Quem tem ensino superior recorre mais a esta prática (60,8%) em relação a quem tem menor escolaridade (47,6%).
As mulheres apresentam maior propensão a automedicar-se, especialmente quem não tem médico de família (24,6% vs 17,6% com médico de família). Os autores indicam que a automedicação pode refletir dificuldades de acesso a cuidados profissionais.
Na última vez em que se automedicaram, 57,3% recorreram a um problema anterior semelhante, e 30,4% tinham medicamentos disponíveis em casa, prontos para uso. A farmácia é o local mais comum para obter informações ou adquirir fármacos.
Implicações e próximos passos
As séries de perguntas apontam que muitos baseiam-se em experiências anteriores (54,2%) para escolher o medicamento, seguidas de aconselhamento na farmácia (38%) e recomendações de familiares ou amigos (7,5%).
Os investigadores destacam riscos associados à automedicação mal orientada, como atrasos no tratamento de doenças graves, interações entre fármacos e diagnósticos incorretos. O objetivo é promover um autocuidado seguro.
O estudo defende que a automedicação pode aliviar serviços de saúde quando bem gerida, desde que haja avaliação de necessidade, informação acessível e ligações entre farmácias, unidades de saúde e médicos de família, para evitar lacunas no percurso de cuidados.
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