- O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao Irão que respeite o direito ao protesto pacífico, à liberdade de expressão e ao direito de reunião.
- Pelo menos 12 pessoas morreram desde o início dos protestos, que começaram a 28 de dezembro em Teerão e já atingem 45 cidades em 23 províncias.
- As autoridades anunciaram que não haverá clemência para manifestantes violentos; forças de segurança reforçaram a presença em Teerão e algumas universidades passaram a ter aulas online.
- No domingo, o Governo informou um apoio mensal de 10 milhões de riais por pessoa, durante quatro meses, para aliviar a pressão económica.
- O país enfrenta hiperinflação e salários baixos (média em torno de 170 euros; salário mínimo próximo de 85 euros), num contexto de tensões políticas e económicas desde 2019.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao Irão que respeite o direito ao protesto pacífico. O apelo surge após várias mortes nas manifestações que já se prolongam há mais de uma semana, conforme o porta-voz Stéphane Dujarric.
Guterres sublinha a necessidade de evitar mais vítimas e apela às autoridades para que garantam a liberdade de expressão, o direito de associação e o direito à reunião pacífica. Todos os indivíduos devem poder manifestar-se sem impedimentos, afirmou o porta-voz.
Contexto das manifestações
As autoridades iranianas mantêm que não haver clemência para os manifestantes violentos, numa altura em que se chega ao nono dia de protestos iniciados a 28 de dezembro, em Teerão. O movimento começou com comerciantes, mas expandiu-se a 23 das 31 províncias.
A contagem da AFP, com base em comunicados oficiais e relatos da imprensa, indica que os protestos afetaram ou afetam pelo menos 45 cidades, sobretudo de dimensão pequena a média, no oeste do país. Em Teerão, polícias e militares de intervenção foram mobilizados em cruzamentos estratégicos.
Situação interna e medidas
Em frente a algumas escolas, as forças de segurança estiveram presentes, enquanto várias universidades passaram a oferecer aulas online. Na maioria dos estabelecimentos comerciais, o funcionamento seguiu sem alterações significativas.
O chefe do poder judicial, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou que a lei deve ser cumprida, reconhecendo o direito legítimo de manifestação por reivindicações económicas. Teerão, no entanto, mantém que distingue manifestantes de arruaceiros violentos.
Reação internacional e contexto económico
A imprensa iraniana nota uma queda na atividade noturna de protestos, com a agência Fars a indicar menor alcance geográfico no domingo. O Governo anunciou, no domingo, um subsídio mensal de 10 milhões de riais por pessoa, durante quatro meses, para aliviar a pressão económica.
O Irão enfrenta hiperinflação de dois dígitos e sanções internacionais ligadas ao programa nuclear. O salário médio ficou próximo de 170 euros, com o salário mínimo na casa dos 85 euros, agravando o descontentamento social.
Notas adicionais
O movimento de protesto ainda não alcançou a dimensão de lutas de 2019 ou o pico desencadeado no final de 2022, após a morte de Mahsa Amini em custódia. As autoridades e a imprensa nem sempre detêm um retrato completo dos incidentes.
A situação continua a evoluir, com a oposição a manter o foco em condições económicas, políticas e de direitos civis no Irão.
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