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Médico denuncia retirada de doentes e de corpos de hospital na Tanzânia

Mais de duzentos feridos e centenas de cadáveres removidos de morgues durante protestos na Tanzânia; repressão e intimidação continuam, com novas manifestações previstas

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  • Centenas de feridos, com mais de duzentos em tratamento, e mais de trezentos cadáveres retirados da morgue para um local desconhecido, durante protestos antigovernamentais na Tanzânia.
  • As forças de segurança teriam intimidado, confiscando telemóveis para impedir registos fotográficos ou vídeos.
  • A violência após as eleições de 29 de outubro, consideradas fraudulentas pela oposição e observadores internacionais, mergulhou o país em violência; a oposição aponta mais de mil mortos.
  • Relatos de valas comuns e desaparecimentos, confirmados por peritos da Organização das Nações Unidas e investigações independentes.
  • Embaixadas ocidentais apelaram às autoridades para devolverem os corpos às famílias; novas manifestações estão previstas para terça-feira, mesmo com clima de medo.

Como já se verifica há mais de um mês, as eleições de 29 de outubro na Tanzânia foram consideradas fraudulentas pela oposição e por observadores internacionais, uns episódios de violência generalizada marcaram o período seguinte. O país encontra-se em estado de tensão, com relatos de repressão, desaparecimentos e possível ocultação de mortes.

De acordo com um médico que falou à AFP sob anonimato, mais de 200 feridos seguem em tratamento e mais de 300 cadáveres da morgue foram retirados em camiões de cor verde, semelhantes a veículos militares. O clínico descreveu ataques de força policial e a apreensão de telemóveis para impedir registos, aumentando o clima de intimidação entre manifestantes.

A oposição, bem como grupos de direitos humanos, acusa o governo de ocultar a dimensão da repressão, citando relatos de mortes superiores a mil e a circulação de informações sobre valas comuns e desaparecimentos de corpos. Peritos da ONU e investigações independentes já referiram esses indícios, enquanto o governo nega abusos graves e sustenta que a violência foi proporcional.

Reação internacional

Relatos verificados por organizações de investigação mostram corpos com ferimentos de bala em morgues de Dar es Salaam, apesar das negações oficiais. Embaixadas ocidentais, cerca de uma dúzia, apelaram às autoridades para devolução imediata de corpos às famílias, reforçando a pressão internacional sobre o Executivo tanzaniano.

Novas detenções de opositores e acusações de traição mantêm a repressão no centro da controvérsia política. Enquanto o governo enumera justificações de ordem pública, a oposição mantém as denúncias de abuso de poder e violações dos direitos humanos.

Manifestantes já anunciaram novas deslocações para terça-feira, apesar do receio generalizado. Uma jovem, que pediu anonimato, explicou a AFP em Nairobi que, embora o caminho seja difícil, a resistência permanece e há esperança de mudança.

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