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CE afirma que corrida global por matérias-primas críticas é questão de poder

Corrida global por matérias-primas críticas vira questão de poder; UE busca diversificar cadeias para reduzir dependência da China

Trabalhadores escavam com máquinas numa mina de terras raras em Baiyunebo, no distrito mineiro de Baotou, na Mongólia Interior, norte da China, em 2010.
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  • A Comissão Europeia considera o acesso a matérias-primas críticas uma aposta vital para a resiliência económica da UE e para evitar choques de abastecimento, numa altura de forte dependência da China.
  • Koen Doens, diretor-geral das Parcerias Internacionais, afirmou que a corrida global deixou de ser apenas sobre minerais para se tornar uma questão de poder, destacando o controlo da extração, refino e transportes.
  • A UE está a tentar diversificar o aprovisionamento até 2030, com metas de 10% de extração, 40% de refino e 15% de reciclagem, e já firmou 16 parcerias com países como República Democrática do Congo, África do Sul e Indonésia.
  • A China responde por cerca de 60% da produção mundial e 90% da capacidade de refino; o bloco europeu depende de Pequim para grande parte das matérias-primas e ímanes de terras raras, levando à proposta de um “bloco industrial aliado”.
  • O EU ISS propôs acelerar infraestruturas de refino na UE, reservas estratégicas de minerais e ações mais rápidas para licenciamento, defendendo uma resposta mais ágil face a riscos de embargos ou interrupções de fornecimento.

A Comissão Europeia considera o acesso a matérias-primas críticas uma decisão estratégica para a resiliência económica da União. Um responsável da instituição afirmou que o investimento total nesta área permite enfrentar choques de abastecimento no futuro. A declaração foi feita à margem de um evento em Bruxelas.

Koen Doens, diretor-geral das Parcerias Internacionais da Comissão, alertou que a corrida global por estas matérias passou a representar poder geopolítico. A UE continua dependente da China, fonte principal de minerais e de capacidade de refino, o que alimenta a necessidade de diversificação de fornecimentos.

Na prática, o que se discute é acelerar a transição para tecnologias limpas sem depender de um único fornecedor. Doens sublinhou que o valor estratégico de minerais como lítio, cobalto e grafite é comparável ao do petróleo num século anterior, e defendeu cadeias de abastecimento que vão da mina ao mercado.

Estrutura de fornecimento e autonomia

A UE já definiu metas para 2030 visando fortalecer produção de painéis solares, baterias e turbinas eólicas: 10% de extração, 40% de refino e 15% de reciclagem, sob regras adotadas em 2024. Contudo, a Europa não possui, por exemplo, metais de terras raras disponíveis localmente, o que levou a acordos com países como República Democrática do Congo, África do Sul, Estados Unidos e Zâmbia.

Esses acordos integram o plano Global Gateway da UE, que pretende competir com a iniciativa chinesa Cintura e Rota, embora com orçamento diferente. Doens afirmou que não é aceitável exportar risco nem depender apenas do mercado para garantir segurança de abastecimento.

Desafios geopolíticos e resposta europeia

A China responde por uma parcela significativa da produção e do refino de matérias-primas críticas. A dependência europeia estimada envolve quase 90% das matérias-primas e 98% dos ímanes de terras raras. Nos últimos anos, a China restringiu exportações de terras raras para a UE.

Como resposta, o EU ISS sugeriu a criação de um bloco industrial aliado, com uma rede que inclua países com grandes reservas e mão de obra qualificada, de modo a reduzir a exposição à China. A ideia envolve reforçar infraestruturas de refino dentro da Europa e manter reservas estratégicas de minerais críticos.

O estudo também propõe acelerar processos regulatórios e licenciamentos, para acompanhar a urgência geopolítica. A Comissão tem considerado a reabertura de regras sobre água como parte da estratégia de reduzir riscos e diversificar o abastecimento.

Caminho para a diversificação e o investimento

Doens concluiu que é essencial identificar projetos-chave, eliminar atrasos administrativos e mobilizar financiamento público e privado. A ideia é demonstrar que a Europa pode oferecer uma cadeia de valor mais segura, sustentável e competitiva, capaz de reduzir a dependência externa a longo prazo.

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