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Guerra comercial com a China: como pode a UE defender-se

UE prepara medidas para conter importações chinesas baratas: diversificar fornecimento, tarifas e direitos antidumping, ante excedente de Pequim e risco de postos de trabalho

Cimeira UE-China, julho de 2025, Pequim, China.
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  • A Comissão Europeia está a estudar instrumentos para proteger o bloco das importações chinesas baratas, incluindo reduzir a dependência de componentes chineses e impor tarifas em sectores estratégicos.
  • Dados alfandegários mostram um excedente da China com a UE-27 de 113 mil milhões de dólares nos primeiros quatro meses de 2026, aumentando a pressão sobre Bruxelas.
  • Uma opção é obrigar empresas da UE a comprar componentes críticos de pelo menos três fornecedores diferentes, com limiares entre 30% e 40%.
  • Outra hipótese é introduzir quotas e tarifas em sectores estratégicos, com foco na indústria química, que depende das exportações para a China.
  • São avaliados direitos antidumping/antisubvenções, o Instrumento de Anticoerção e a necessidade de unificar os Estados-Membros, reconhecendo custos políticos e económicos.

O bloco comunitário está a preparar respostas perante a possível escalada de tensão com a China, incluindo medidas para reduzir a dependência de componentes chineses e a aplicação de tarifas em sectores estratégicos. A Comissão Europeia quer proteger a produção europeia de importações baratas e riscos de excedentes chineses. A discussão ocorre num contexto de aumento da procura por parte da China e de avisos de retaliação por parte de Pequim.

Dados alfandegários indicam que, nos primeiros quatro meses de 2026, o excedente entre a China e a UE-27 subiu para 113 mil milhões de dólares, frente a 91 mil milhões em igual período de 2025. O défice comercial europeu com a China situava-se em 359,9 mil milhões de euros em 2025, agravando as pressões sobre Bruxelas. Pequim tem conduzido avisos de retaliação a leis da UE.

Na sexta-feira, a China proibiu as empresas chinesas de contactar a Comissão Europeia nas investigações sobre subvenções estrangeiras da UE, aumentando a tensão entre as partes. A reunião de comissários para debater opções ocorreu a 29 de maio, com várias medidas a serem consideradas para restabelecer condições equitativas.

Reduzir a dependência de componentes chineses

O Financial Times reportou que a UE pode exigir que fabricantes comprem componentes críticos a pelo menos três fornecedores diferentes, com limiares de 30% a 40% por fornecedor. A medida visa reduzir vulnerabilidades após restrições da China a terras raras e chips. A proposta enfrenta o desafio de manter a competitividade sem perder inovação.

Tarifar sectores estratégicos

A Comissão apresentou, em dezembro, uma estratégia para reforçar a proteção da indústria europeia até setembro de 2026. Além de quotas e tarifas, a ideia é responder a políticas comerciais injustas e a sobrecapacidades. A abordagem inclui setores como aço, químicos e tecnológicos, com objetivos de defesa económica.

Aplicar direitos antidumping ou antisubvenções

Podem ser impostas tarifas quando os preços de importação são inferiores aos preços de venda no mercado interno. Também podem ser investigadas subvenções consideradas injustas. No entanto, as investigações são demoradas e um número significativo de casos incide sobre o setor químico.

Instrumento de Anticoerção

O Instrumento de Anticoerção, ou bazuca comercial, permitiria respostas fortes contra pressões externas, por exemplo, restringindo licenças ou contratos públicos. Exige apoio de uma maioria qualificada entre os Estados-membros, algo ainda incerto face a posições divergentes dentro da UE.

Unificar os Estados-Membros

A UE confronta resistência de governos nacionais a uma dissociação completa da China, o que pode favorecer Pequim ao dividir capitais. A tensão também aparece na área TIC, com a proposta de eliminar fornecedores de alto risco, como Huawei e ZTE, começando pelas telecomunicações, provocando controvérsia entre Espanha, Alemanha e outros Estados-membros.

A estratégia da UE pode implicar custos políticos e económicos, especialmente se a dissociação avançar. O debate continua a adaptar‑se às dinâmicas comerciais e à necessidade de manter o equilíbrio entre proteção industrial e manter relações económicas estáveis com a China.

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