- A presidente da câmara de Arcadia, cidade na Califórnia, foi acusada pelo Departamento de Justiça dos EUA de atuar ilegalmente como agente do Governo da China, envolvendo-se em propagação pró-Pequim.
- Eileen Wang, de 58 anos, demitiu-se do cargo e pode enfrentar até 10 anos de prisão, conforme a acusação de confissão apresentada.
- Os advogados da autarca disseram que reconhece a gravidade da acusação e assume a responsabilidade por erros pessoais, mantendo o compromisso com a comunidade de Arcadia.
- Em abril, a justiça federal acusou também um cúmplice de divulgar propaganda pró-China junto da comunidade de origem chinesa, através do portal U.S. News Center; o cúmplice já cumpria pena de quatro anos.
- O acordo aponta que os dois atuaram como agentes do Governo chinês entre o final de 2020 e 2022 para promover interesses chineses nos EUA; a notícia surge dias antes de a reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.
A presidente da câmara de Arcadia, cidade de cerca de 50 mil habitantes na Califórnia, foi acusada pelo Departamento de Justiça dos EUA de atuar ilegalmente como agente do Governo da China. A notícia foi divulgada ontem e envolve atividades entre o final de 2020 e 2022, conforme a acusação apresentada. Wang demitiu-se do cargo na segunda-feira, após as alegações surgirem. O caso envolve propaganda pró-Pequim difundida junto da comunidade chinesa local.
Segundo o DOJ, Eileen Wang reconheceu a gravidade da acusação e admite ter contrariado leis norte-americanas. Os advogados da autarca afirmaram que ela aceita a responsabilidade por erros no passado, mantendo que o vínculo com a comunidade de Arcádia permanece. O cúmplice, Mike Sun Yaoning, tem antecedentes criminais e está a cumprir uma pena de quatro anos.
Em abril, o Ministério Público acusou a autarca e Sun Yaoning de divulgar propaganda pró-China via o portal U.S. News Center, direcionada à comunidade de origem chinesa. O acordo de confissão descreve que ambos atuaram como agentes chineses desde 2020 ao final de 2022.
Acusações e contexto
Em junho de 2021, um funcionário do Governo chinês enviou a Wang um link para uma carta ao editor no Los Angeles Times, escrita pelo cônsul-geral da China em Los Angeles. A carta negava perseguição e alegava que não houve genocídio em Xinjiang, levando Wang a partilhar o conteúdo no seu portal de notícias.
Wang foi eleita para o conselho municipal de Arcadia em novembro de 2022, num órgão de cinco membros onde o presidente da câmara é escolhido por rotatividade. O administrador municipal, Dominic Lazzaretto, assegurou que nenhum recurso ou funcionário da câmara esteve envolvido, destacando que as ações ocorreram após a assunção de Wang ao cargo.
Reações e próximos passos
A investigação aponta para conduta individual, com o administrador a sublinhar que as acusações cessaram após a tomada de posse de Wang. O caso surge dias antes de a administração norte-americana receber o presidente chinês Xi Jinping, numa visita que coincide com o clima de tensão comercial e diplomática entre os dois países. O conteúdo completo das acusações mantém-se sob a vigilância das autoridades competentes.
Entre na conversa da comunidade