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Ilhas Canárias recusam receber cruzeiro com passageiros infetados por hantavírus

Ilhas Canárias recusam receber cruzeiro infetado por hantavírus; evacuação médica para Cabo Verde coordena-se com OMS e UE, com dúvidas sobre dados clínicos e segurança sanitária

Vista do navio de cruzeiro MV Hondius ancorado no porto da Praia, Cabo Verde, na segunda-feira, 4 de maio de 2026.
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  • O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, rejeita receber o MV Hondius e acusa o governo espanhol de improvisação.
  • A Organização Mundial de Saúde informou que estão a bordo 147 passageiros e tripulantes, com sete casos ligados ao surto (dois confirmados, cinco suspeitos) e três mortes.
  • Clavijo questiona a decisão de transferir o navio para as Canárias, apontando falta de dados médicos e que a Praia, Cabo Verde, não recebeu informações suficientes.
  • O governo espanhol aceitou transferir o médico do navio em estado grave para as Ilhas Canárias, com avião de assistência médica, em coordenação com a OMS e a União Europeia.
  • Cabo Verde confirmou a evacuação sanitária de três doentes, com dois aviões ambulância, e aguarda a chegada do segundo avião e de um médico; o navio deverá retomar a viagem após a operação.

O navio de cruzeiro MV Hondius, com um surto de hantavírus a bordo, permanece atracado ao largo da Praia, Cabo Verde. A transferência de pacientes e a gestão sanitária estão a ser coordenadas entre autoridades internacionais e nacionais, num contexto de operação humanitária.

O governo das Ilhas Canárias rejeitou a decisão de acolher o navio, alegando falta de informação médica sobre a extensão do surto. O presidente regional, Fernando Clavijo, classificou a decisão como improvisada e pediu mais dados antes de aceitar o navio no arquipélago. A posição canária contrasta com instruções de coordenação com a OMS e a UE.

Dados oficiais e posição da OMS

Segundo a Organização Mundial de Saúde, existem 147 passageiros e tripulantes a bordo, com sete casos ligados ao surto: dois confirmados em laboratório e cinco sob observação. O relatório inclui três mortes, um estado grave e três casos com sintomas leves. A variante andina é reconhecida entre alguns infectados, com potencial transmissão entre humanos.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, secretário-geral da OMS, indicou que o risco para a população geral é baixo com base nas informações disponíveis, reforçando o cumprimento do direito internacional e do espírito humanitário no caso de Cabo Verde.

Ação médica e coordenação entre governos

O governo espanhol confirmou a aceitação de uma transferência urgente de um médico do navio, que se encontra em estado grave, para as Ilhas Canárias, por via aérea com equipa médica. A operação está a ser conduzida em parceria com a OMS e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, avaliando a evolução epidemiológica do navio.

Clavijo pediu uma reunião com o presidente espanhol Pedro Sánchez e com a ministra da Saúde, Mónica García, para discutir a gestão sanitária do caso. O presidente regional afirmou que a decisão tomada não transmite tranquilidade à população canária, reiterando a oposição à medida sem dados suficientes.

Operação de evacuação em Cabo Verde

As autoridades cabo-verdianas confirmaram a chegada de um dos dois aviões preparados para evacuar três pessoas afetadas pelo surto. A equipa médica desloca-se ao navio para coordenar a retirada sanitária, que deverá decorrer com recurso a dois aviões ambulância e o apoio de entidades nacionais e internacionais.

Ao concluir a evacuação, o navio deverá retomar a viagem. A operação está a ser preparada com foco na segurança e na supervisão interinstitucional, assegurando que todas as condições são reunidas antes de prosseguir.

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