- A ASD Convention 2026, em Cascais, destacou o diálogo entre indústria e forças armadas como chave para enfrentar um contexto geopolítico desafiante.
- A coordenação entre autoridades e indústria é vista como essencial para construir exércitos resilientes e medir progresso na soberania tecnológica dos Estados-membros da UE.
- As pequenas e médias empresas foram destacadas como rápidas e ágeis, com potencial para responder a necessidades operacionais diárias no campo de defesa.
- Uma delegação ucraniana, incluindo Oleksander Kamishin, realçou a necessidade de modernização de software, drones e outros veículos no cenário de guerra atual.
- Em Portugal, reforça-se a importância de ampliar a cooperação entre governo, defense, cluster nacional e indústria, com foco em investimento estável a médio e longo prazo para aumentar capacidades nacionais.
A ASD Convention 2026 reuniu, em Cascais, líderes da indústria de defesa e autoridades, para debater o diálogo entre empresas e forças armadas. O encontro, promovido pela ASD Europe e pelo AED Cluster Portugal, aconteceu na terça-feira e contou com a participação de mais de 300 diretores, decisores e especialistas do sector.
O objetivo foi esclarecer obstáculos ao crescimento do setor e identificar oportunidades. Os participantes enfatizaram a importância de incluir pequenas e médias empresas no processo de inovação, dada a sua agilidade na prototipagem e resposta rápida a novas necessidades.
Entre os presentes esteve uma delegação ucraniana, com Oleksander Kamishin, antigo ministro das Indústrias Estratégicas da Ucrânia. Os representantes destacaram a necessidade de modernizar software de sistemas, drones e veículos em operações de guerra, para responder a ataques contínuos da Rússia.
A coordenação entre indústria e defesa
José Neves, presidente do AED Cluster Portugal, explicou que as PME podem suprir lacunas onde as grandes plataformas dominam, oferecendo soluções rápidas no âmbito da defesa. O foco recaiu na integração de novas empresas no ecossistema, para acelerar testes e implementação de conceitos.
O vice-diretor nacional de Armamento do Ministério da Defesa, contra-almirante António Mateus, destacou o trabalho coordenado entre Ministério, ramos das Forças Armadas e a indústria. A necessidade de acelerar a integração e obter resultados práticos foi sublinhada.
A observação acontece num contexto de reforço de gastos europeus com defesa, com a NATO a apostar no aumento de despesas para 5% do PIB até 2035. Apesar disso, Mateus salientou que a integração deve continuar a evoluir para mecanismos operacionais mais eficazes, respeitando o quadro institucional.
Perspetivas nacionais e investimento sustentável
José Neves apelou a investimentos de médio e longo prazo na indústria portuguesa, sublinhando a importância de manter produção local, criar empregos qualificados e alavancar capacidades de exportação, acompanhando outros países europeus. O objetivo é expandir a produção tecnológica em território nacional.
No âmbito da Lei de Programação Militar, a avaliação técnica e operacional pode permitir recorrer a fontes não estritamente europeias quando apropriado. O objetivo é assegurar que o investimento público em defesa seja acompanhado por desenvolvimento de capacidades produtivas internas.
José Neves encerrou a apresentação destacando o impulso dado pela indústria para convergir com as necessidades das Forças Armadas, com uma visão de futuro que privilegie rapidez, inovação e sustentabilidade.
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