- Um e-mail interno do Pentágono descreve opções para punir aliados da NATO que, na visão dos EUA, não apoiaram a guerra contra o Irão, incluindo a suspensão de Espanha da aliança e a reavaliação da posição norte‑americana sobre as Ilhas Falkland.
- Entre as opções, consta a referência ao ABO (milhas/rotas de sobrevoo) como mínimo para a NATO, com o objetivo de pressionar países que dificultem o acesso das forças norte‑americanas.
- O documento menciona também a possibilidade de suspender Espanha da NATO e de reduzir o papel diplomático dos EUA junto a antigas possessões europeias, como as Ilhas Falkland.
- O Presidente Donald Trump criticou aliados da NATO por não enviarem marinhas para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz e questionou publicamente a manutenção da aliança.
- O Governo de Espanha respondeu que não trabalha com base em e-mails, afirmando que as decisões devem basear‑se em documentos oficiais e posições governamentais, sem comentar o conteúdo do memorando.
O Pentágono discutiu opções para punir aliados da NATO que, na visão dos EUA, não apoiaram as operações contra o Irão. Entre as propostas está a suspensão de Espanha da aliança e a reavaliação da posição dos EUA sobre a reivindicação britânica às Ilhas Falkland. As hipóteses constam numa nota interna, descrita por um responsável norte-americano à Reuters.
Segundo o documento, o ABO — acesso e direito a escala ou sobrevoo — seria considerado o mínimo para a NATO, e as opções circulavam em níveis elevados do Pentágono. Entre os cenários, surge a suspensão de países com posições consideradas difíceis para os interesses de Washington.
Trump criticou os aliados por não enviarem marinhas para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz. O Presidente questionou, na entrevista à Reuters, se sairia da NATO, mas o e-mail não indica que os EUA pretendam abandonar a aliança. Não há indicação de encerramento de bases europeias.
O secretário de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, reiterou que o Departamento da Guerra manterá opções credíveis para evitar que aliados atuem apenas como símbolo. Não foram dadas mais explicações sobre deliberações internas.
A ideia de punir europeus com privilégio ressalta dúvidas sobre o compromisso da aliança, numa altura em que Washington teme não ter apoio de alguns membros em caso de ataque. Espanha, que restringiu o uso de bases para ações contra o Irão, é citada como exemplo de posição sensível.
A eventual suspensão espanhola, segundo o e-mail, poderia ter impacto simbólico significativo, ainda que o efeito operativo seja limitado. Ainda não está claro se existe mecanismo da NATO para a execução dessa medida.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que não trabalham com base em e-mails e reiterou a necessidade de documentos oficiais. Em Chipre, durante uma reunião da UE, Sánchez destacou que a NATO opera com base em posições governamentais formais.
O documento também considera reavaliar o apoio diplomático dos EUA a antigas possessões europeias, incluindo as Ilhas Falkland, administradas pelo Reino Unido, mas reclamadas pela Argentina. A situação envolve tensões históricas entre Reino Unido e Argentina, sem relação direta com o conflito em curso.
Analistas destacam que a guerra entre EUA, Israel e o Irão expôs fragilidades da aliança, com receios de que alguns aliados possam não apoiar os EUA em caso de ataque. Responsáveis da Administração Trump têm enfatizado que a NATO não é uma via de sentido único.
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