- Em 24 e 25 de abril, o presidente francês, Emmanuel Macron, realizou uma visita de dois dias a Atenas, centrada na renovação do Acordo de Parceria Estratégica para Cooperação em Defesa e Segurança, assinado em 2021.
- O acordo inclui uma cláusula de assistência mútua em defesa entre França e Grécia, visando reforçar a autonomia estratégica europeia num contexto de crises globais.
- A cooperação envolve a aquisição de 24 aviões de combate Rafale pela Grécia e o programa de fragatas Belharra da FDI, com o navio “Kimon” sendo a primeira embarcação entregue.
- No plano industrial, empresas francesas como Naval Group, MBDA, Thales e Safran trabalham com interlocutores gregos, expandindo ainda a ligação com a Airbus em projetos de helicópteros e proteção civil.
- Além da defesa, a parceria evolui para áreas como energia, infraestruturas e inovação, com a Grécia e a França posicionadas como modelos para a resposta europeia a uma geopolítica volátil.
Em 24 e 25 de abril de 2026, o presidente francês Emmanuel Macron visita Atenas para renovar a parceria estratégica com a Grécia, numa deslocação de dois dias que ganha dimensão europeia face às crises regionais e às rotas marítimas.
A visita, que envolve debates sobre defesa, soberania europeia e cooperação industrial, marca a renovação do Acordo de Parceria Estratégica para a Cooperação em Defesa e Segurança, assinado em 2021 entre Mitsotakis e Macron. O objetivo é transformar um pacto político num quadro institucional mais estável.
No programa, Macron reúne-se com o chefe de Estado helénico, Konstantinos Tasoulas, visita a fragata Kimon e participa num fórum económico greco-francês. O encontro prossegue com a assinatura de acordos e declarações conjuntas, reforçando uma cooperação multifacetada entre os dois países.
Cooperação prática entre França e Grécia
A parceria já se traduziu em aspirações industriais e operacionais, incluindo a aquisição grega de 24 aviões Rafale e o programa de fragatas Belharra em curso, com três navios concluídos e a perspetiva de um quarto. A primeira belharra, a fragata Kimon, já integrou operações de proteção na região, enviando mensagem de dissuasão.
O Naval Group trabalha com empresas gregas no programa de fragatas, enquanto a MBDA, a Thales e a Safran desenvolvem sinergias com operadores locais. A Airbus mantém ligação com a defesa civil, via contratos que abrangem helicópteros de combate a incêndios.
Além da defesa: energia, economia e inovação
A cooperação evolui para além do domínio estritamente militar, incluindo áreas como energia, infraestruturas e tecnologia. A complementaridade económica cria condições para a competitividade europeia, com a transferência de know-how e investimento em inovação e inteligência artificial.
Segundo analistas, a relação franco-grega funciona como modelo de autonomia estratégica na prática, embora não substitua uma arquitetura de defesa europeia mais ampla. A renovação do acordo pretende demonstrar que a defesa europeia pode avançar com parcerias concretas e vinculativas.
Um teste para a autonomia estratégica europeia
A renovação do acordo bilaterale assume-se como teste da capacidade da UE em agir de forma coordenada face a um ambiente internacional cada vez mais volátil. Para a Grécia e a França, a visita de Macron é uma oportunidade de afirmar que defesa europeia pode ganhar impacto operacional através de alianças estratégicas bem definidas.
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