- A Alta Representante da UE, Kaja Kallas, disse à Euronews que os vetos minam a democracia europeia e que 26 países ficam ligados por um único veto.
- Kallas explicou que os tratados exigem unanimidade para passar a votação por maioria qualificada, e que o mecanismo atual não é uma verdadeira democracia.
- O novo governo húngaro, liderado por Péter Magyar, pode alterar o uso dos vetos, mas ainda não está em funções, devendo fazê-lo em meados de maio.
- Nos últimos dias, Hungria levantou dois vetos: o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e o 20.º pacote de sanções contra a Rússia; Kiev quer data clara para adesão plena.
- Kallas defendeu alinhar a narrativa sobre os países candidatos, destacando ganhos de uma Europa maior e mais fortalecida de defesa, com um mercado único alargado.
A Alta Representante da UE, Kaja Kallas, afirmou à Euronews que os vetoes usados por um único país minam a democracia europeia. As declarações foram feitas durante uma entrevista gravada à margem de uma cimeira informal em Chipre.
Kallas destacou que, no atual cenário geopolítico, a credibilidade da UE depende da capacidade de agir unida. Observou que os tratados prevêem unanimidade, não veto, e que quando 26 países discordam de um único quer, o comum fica por cumprir.
A europeia lembrou que os mecanismos para passar da unanimidade para a votação por maioria qualificada existem, mas exigem consenso. Defendeu também a necessidade de rever métodos de trabalho para melhor eficácia.
Veto de Orbán e situação em Budapeste
Na análise, Kallas recordou o histórico de veto de Viktor Orbán ao longo de 16 anos, que atrasou decisões-chave. A Alta Representante disse estar esperançada numa cooperação estável com o novo governo húngaro, chefiado por Péter Magyar.
Magyar confirmou que o veto permanece uma opção, desde que seja construtivo. O primeiro-ministro eleito deverá assumir funções em meados de maio, altura em que se avaliará a possibilidade de rever decisões bloqueadas.
Nesta semana, Budapeste levantou dois vetos, relacionados com o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e com o 20º pacote de sanções à Rússia. Kiev continua a pedir um calendário claro para adesão plena à UE.
O papel da Ucrânia e o debate sobre adesão
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, pediu uma data de adesão definitiva, rejeitando soluções mediadas como meramente simbólicas. Zelenskyy afirmou que a Ucrânia defende valores europeus e que merece plena integração.
Kallas defendeu que a adesão deve ser discutida com base em reformas legais e na avaliação das vantagens para o conjunto da UE. Apontou para uma Europa maior e mais robusta, com defesa fortalecida e mercado único alargado.
O discurso da Alta Representante reforçou a necessidade de trabalhar simultaneamente, junto de opinião pública e instituições, para apresentar as vantagens da adesão de países candidatos. O objetivo é sustentar uma política de alargamento credível.
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