- Sondagens à boca das urnas apontam vitória de Rumen Radev e da coligação Bulgária Progressista com entre 37% e 39% dos votos; o GERB situa-se perto dos 16%.
- A participação eleitoral foi superior a 45%.
- Mesmo com vantagem, Radev ficará a cerca de 10 a 12 lugares da maioria, tornando necessária a formação de coligações; a própria Bulgária Progressista descartou alianças com o GERB e com o DPS.
- As perspetivas de coligação com o Partido Socialista Búlgaro e com o movimento Renascimento existem, mas dependem de acordos entre partidos com posições variáveis.
- A campanha tem gerado polémica, com críticas à posição de Radev sobre a Ucrânia e aos contactos com o presidente russo, Vladimir Putin, incluindo declarações sobre a Crimeia.
Rumen Radev, antigo presidente da Bulgária, é apontado como vencedor das legislativas pelas sondagens à boca das urnas. A coligação que o apoia deve ficar entre 37% e 39% dos votos, segundo os primeiros dados. A participação ultrapassou os 45%.
A disputa coloca de lado o GERB, liderado por Boyko Borissov, que deverá obter cerca de 16% dos votos. A diferença sugere necessidade de alianças para formar governo estável.
Radev, que deixou a presidência em janeiro, aparece como favorito perante os resultados preliminares, num cenário marcado pelo peso das coligações potenciais. A sua força política é o que mais preocupa os especialistas.
A força política com a qual se apresenta, Bulgária Progressista, já descartou alinhar-se com o GERB ou com o DPS, liderado por Borissov e Delyan Peevski, a quem Radev já descreveu como oligarcas.
A relação de Radev com outras formações também se complica. Mesmo após colaborações anteriores, o apoio de Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática pode não ser suficiente para um compromisso estável.
Este panorama deixa pouca margem para parcerias, com possíveis opções a passar pelo Partido Socialista Búlgaro ou pelo Renascimento, este último conhecido por posições anti-EU e pró-Russas.
A posição de Radev tem atraído atenção internacional. Durante a presidência, opôs-se a envio de ajuda militar à Ucrânia e criticou políticas da UE nessa área.
Radev chegou a defender diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin, o que alimentou interpretações de simpatia pelo Kremlin entre alguns observadores.
A campanha registou polémicas, com um comício a enfrentar críticas oposicionistas após um vídeo com imagens de Putin ter sido exibido no palco.
Dias antes, Radev reiterou uma posição controversa de que a Crimeia é russa, o que suscitou contestação aquando da primeira afirmação, já há cinco anos.
Contexto político e cenários futuros
A eleição antecipada pode influenciar a geopolítica europeia, dado o afastamento provável de uma maioria estável no parlamento.
Analistas ressaltam que a Bulgária poderá depender de acordos de coligação para formar governo, com prazos de barganha que afetam políticas internas e externas.
A composição final do parlamento ainda depende dos resultados oficiais, que devem confirmar ou ajustar o empate entre coligações emergentes.
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