- O Qatar alerta para um choque global mais profundo nos próximos meses se o Estreito de Ormuz permanecer encerrado, aumentando já os custos energéticos.
- O ministro das Finanças do Qatar, Ali bin Ahmed Al Kuwari, disse que a crise atual é apenas a “ponta do icebergue” e prevê impactos em abastecimento de energia e matérias-primas.
- O estreito, que recebe cerca de um quinto do fornecimento mundial de energia, continua com fluxos de transporte perturbados, apesar de sinais intermitentes de cessar-fogo.
- A região depende de Ormuz também para cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes; quebras no fornecimento podem afetar colheitas, saúde e indústria de semicondutores.
- O Qatar enfrenta danos significativos no principal complexo de GNL de Ras Laffan, com reparações estimadas em até cinco anos, mas afirma ter reservas e fundos de choque para atenuar o impacto imediato.
O Qatar alerta para um choque global caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, com custos energéticos em alta a mostrarem apenas a ponta do iceberg. O aviso foi feito durante as Reuniões da Primavera do FMI, em Washington, pelo ministro das Finanças Ali bin Ahmed Al Kuwari.
Al Kuwari disse que o impacto total pode materializar-se nos próximos meses, se a passagem estratégica continuar sob controlo restritivo. A sua perspetiva é de que o aumento de preços pode evoluir para falhas de abastecimento de energia e de matérias-primas críticas.
Garantiu que os fluxos de transporte marítimo continuam incertos, apesar de sinais ocasionais de cessar-fogo. Attentando a Ormuz, cerca de um quinto do fornecimento mundial de energia segue sob risco de interrupção.
Riscos para a cadeia global
O ministro afirmou que o mundo enfrentará em breve problemas de disponibilidade de energia, com países que pagam mais a enfrentar dificuldades de abastecimento. Cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passa por Ormuz.
O Qatar, que representa aproximadamente 30% da oferta global de hélio, indicou que quebras podem afetar a saúde e os semicondutores. O potencial impacto é descrito como uma escalada económica em cascata.
O Estreito de Ormuz é crucial para o fornecimento de energia global, e o tráfego tem mostrado perturbações desde o início do conflito. Instituições internacionais avisam que uma perturbação prolongada pode conduzir a recessão global e inflação elevada.
Impacto no Qatar
No Qatar, já se verificam impactos em infraestruturas energéticas. O complexo de gás natural liquefeito de Ras Laffan sofreu danos significativos, removendo cerca de 17% da capacidade de exportação do país.
As reparações em Ras Laffan podem levar até cinco anos, sinalizando consequências de longo prazo para o fornecimento de GNL mundial. O Qatar é um dos maiores exportadores de GNL.
Apesar dos avisos, Al Kuwari mostrou perspetivas internas mais tranquilas, referindo-se a almofadas financeiras suficientes para absorver o impacto imediato. Existe um fundo de choque e reservas soberanas para sustentar a economia.
As autoridades planeiam apoios setoriais para aviação, turismo e indústria transformadora, gravemente afetados pela instabilidade no Estreito. O ministro reiterou que o pior ainda está por chegar.
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