- Editores e diretores de mais de trinta países da América Latina e da União Europeia aprovaram, em Alcalá de Henares, uma Declaração com dez princípios para orientar o jornalismo face à desinformação e aos desafios da Inteligência Artificial.
- O texto exige respeito pela propriedade intelectual, enquadramentos de uso com autorização e remuneração justa pelo treino de IA com conteúdos de jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara, destacando o papel do editor como garante da notícia.
- Defende-se a ética no capital e na governação, igualdade e diversidade, compromisso com a paz e a democracia, e defesa da soberania linguística, assim como a necessidade de juízo humano para combater desinformação e alucinações dos sistemas automáticos.
- A Declaração aponta para a independência dos meios de comunicação face a capitais de origem opaca e pede proteção das redações contra interesses que não respondam à ética informativa, especialmente em crises de referência.
- O encontro distinguiu ainda duas personalidades: Rolando Rodríguez, do La Prensa, e Irene Lanzaco, liderando ações legais contra a Meta, com pagamento de milhões à imprensa espanhola por concorrência desleal.
Em Alcalá de Henares, Espanha, editores e diretores de imprensa de mais de 30 países aprovam uma declaração com 10 princípios para o jornalismo face à desinformação e aos desafios da Inteligência Artificial. O documento foi apresentado no 9.º Congresso de Editores da Europa, América Latina e Caribe. A defesa central é o respeito pela propriedade intelectual e pela ética na gestão de conteúdos.
O texto exige enquadramentos de uso de conteúdos com autorização, atribuição e remuneração justa para jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara, no treino de modelos de IA. O juramento ressalta o papel do editor como garante da notícia e a necessidade do juízo humano para evitar alucinações dos sistemas automatizados.
A Declaração de Alcalá promove ainda ética no capital e na governação, igualdade e diversidade, paz, democracia e soberania linguística. Denuncia a entrada de capitais de origem opaca que possam comprometer a independência dos meios de comunicação, especialmente em crises de referência jornalística.
O evento contou com o presidente do congresso, Alberto Barciela, que sublinha a importância de manter a imprensa como contrapoder num tempo de confusão informativa. A declaração pretende tornar-se uma referência a nível internacional e governamental, defendendo a dignidade da comunicação frente à máquina.
Durante a cerimónia, foi ainda distinguido Rolando Rodríguez, subdirector do La Prensa (Panamá) que integrou o ICIJ, e Irene Lanzaco, directora-geral da Associação de Meios de Informação, que liderou uma ação judicial contra a Meta resultando em uma condenação de 479 milhões de euros pela imprensa espanhola por concorrência desleal.
Subtítulo: Contexto e impactos
Apesar de tratar de princípios, a declaração aponta para a necessidade de cooperação entre regiões para proteger redacções. A adoção de normas comuns visa reforçar a transparência, a atribuição de conteúdos e a responsabilidade editorial em zonas de conflito e de desinformação.
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