- Um centro de dessalinização no Bahrein foi danificado num ataque de drone, num sinal de escalada de ataques a infraestruturas hídricas no Médio Oriente.
- Alegações de ataque na ilha de Qeshm, no Irão, dizem ter afetado o abastecimento de água de 30 aldeias.
- As centrais de dessalinização são vitais na região, que tem abundância de água muito abaixo da média; cerca de quarenta e dois por cento da capacidade mundial de dessalinização está no Médio Oriente.
- Em muitos países, a água potável resulta directamente destas centrais: Emirados Árabes Unidos (cinquenta e duas por cento), Kuwait (noventa por cento), Omã (oitenta e seis por cento) e Arábia Saudita (setenta por cento).
- Especialistas alertam para consequências graves caso os ataques continuem, incluindo interrupções, racionamento e impactos económicos; autoridades reforçam segurança e monitorização das instalações.
Numa das regiões mais secas do mundo, a água é também um recurso estratégico. No fim de semana, uma central de dessalinização no Bahrein foi danificada por um ataque de drone, segundo autoridades locais. No Irão, veio a público que um ataque semelhante em Qeshm poderá ter afetado o abastecimento de água de cerca de 30 aldeias.
Estes incidentes ocorrem num contexto de crescente vulnerabilidade de infraestruturas hídricas vitais para milhões de pessoas na região. Economista especializada em recursos hídricos, Esthèr Crauser-Delbourg, disse à AFP que quem ataca a água pode desencadear uma guerra de dimensão superior à atual.
Importância da dessalinização
Em zonas com baixos recursos hídricos, as centrais de dessalinização são determinantes para a economia e para o fornecimento de água potável. Estudos indicam que cerca de 42% da capacidade mundial de dessalinização está no Médio Oriente, com percentuais elevados em vários países.
Segundo dados de 2022 do Ifri, nos Emirados Árabes Unidos 42% da água potável resulta destas centrais; no Kuwait 90%, em Omã 86% e na Arábia Saudita 70%. Crauser-Delbourg sublinhou que sem água dessalinizada não há água disponível para uso.
Vulnerabilidades e respostas
A CIA já alertou, em 2010, para consequências graves caso as centrais sejam interrompidas. Em 2008, um telegrama divulgado pela WikiLeaks sugeria evacuação caso Jubail fosse gravemente danificada. Além de ataques, as centrais enfrentam riscos de cortes de energia e contaminação da água do mar.
A empresa Veolia, que gere a água dessalinizada em Omã e na Arábia Saudita, afirmou que reforça a segurança e os controlos de acesso. Em parte dos países, autoridades instalaram baterias de mísseis à volta das maiores centrais elétricas para neutralizar drones ou mísseis.
Perspetivas e impactos económicos
Especialistas lembram que ataques podem provocar interrupções temporárias, seguidas de consequências graves para cidades inteiras. Crauser-Delbourg avisou sobre potenciais fugas de populações, com subsequentes efeitos em turismo, indústria e centros de dados, que dependem de água para cooling.
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