Em Alta futeboldesportoPortugalinternacionaispessoas

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Declínio das espécies migratórias atinge 49%

Quase metade das espécies migratórias está em declínio e 24% enfrenta risco de extinção, um alerta para rotas migratórias globais antes da COP quinze

Os maçaricos-de-bico-direito (*Limosa limosa*) que ainda continuam a passar em grande número pelo estuário do Tejo
0:00
Carregando...
0:00
  • Quarenta e nove por cento das espécies migratórias protegidas estão em declínio, um aumento de cinco pontos percentuais em apenas dois anos; 24 por cento enfrentam risco de extinção.
  • O relatório, com atualização provisória do Estado das Espécies Migratórias do Mundo, foi divulgado antes da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, no Brasil.
  • As pressões humanas continuam a fechar corredores migratórios, afetando aves, mamíferos, peixes e répteis que dependem de rotas entre países e continentes.
  • Há 9.372 Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs) associadas a espécies migratórias, mas 47 por cento dessas áreas permanecem sem proteção formal.
  • A incidência de progressos pontuais é destacada, mas os indicadores globais continuam a piorar, exigindo ação urgente para proteger habitats, mapear rotas e melhorar a gestão das espécies migratórias.

A atualização provisória do relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo 2024 revela que 49% das espécies migratórias protegidas estão em declínio, um aumento de 5% em apenas dois anos. No conjunto, 24% enfrentam risco de extinção, um acréscimo de 2% face a 2024. A publicação antecede a COP15, que decorre de 23 a 29 de março no Brasil.

Milhares de animais migratórios — incluindo aves, mamíferos, peixes e répteis — dependem de corredores ecológicos entre países e continentes. As pressões humanas diminuem a conectividade, comprometendo rotas que antes asseguravam a sobrevivência de numerosas espécies.

Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS, sublinha a gravidade da crise. O relatório aponta exploração excessiva e perda/fragmentação de habitats como as maiores ameaças, mantidas ao longo de rotas migratórias globais.

Em Portugal, o impacto é direto. A enguia-europeia, uma espécie migratória emblemática, continua em declínio acentuado devido a barragens, pesca ilegal, poluição e alterações climáticas. Regiões espanholas têm também debates sobre proteção mais rígida da enguia, com resistências locais a propostas nacionais.

Algumas espécies apresentam avanços pontuais, refere Fraenkel, mas a maior parte continua a enfrentar pressões crescentes. O relatório indica 26 espécies em escalada para categorias de risco de extinção, especialmente aves marinhas; sete espécies melhoraram, entre elas a foca-monge-mediterrânica e o antílope saiga.

O documento também destaca progressos na identificação de habitats críticos e na mapear de rotas migratórias, com iniciativas como a GIUM e o sistema MiCO. Ainda assim, persistem lacunas de conhecimento regional sobre habitats-chave.

Quase metade das Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs) relevantes para espécies migratórias permanece sem protecção formal. O relatório atual serve de base para as deliberações da COP15, ajudando a definir prioridades de ação até 2029.

A atualização conclui que a janela de oportunidade se estreita. São urgentes medidas para proteger 188 espécies em perigo de extinção total ou parcial, incluindo 28 mamíferos terrestres, 23 marinhos, 103 aves, 8 répteis e 26 peixes. A proteção de habitats, a proibição de captura e a remoção de obstáculos são apontadas como medidas-chave.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais