- Milhares de iranianos voltaram às ruas, com grandes manifestações em Teerão e Mashhad, apesar do bloqueio quase total da internet imposto na quinta-feira.
- Os protestos entoam consignas contra o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, incluindo “Morte a Khamenei” e “Viva o xá”.
- As autoridades endureceram a retórica: o procurador-geral disse que quem participar pode ser considerado inimigo de Deus, crime punível com a morte; a televisão estatal avisou que quem ajudar os manifestantes também pode ser acusado.
- Reza Pahlavi, no exílio, pediu aos iranianos que controlassem as suas cidades e que exibissem a antiga bandeira do “leão e sol”.
- Organizações de direitos humanos indicam dezenas de mortos e milhares de detenções; há relatos de feridos com lesões oculares e violência policial, em ambiente de risco de nestações sob blackout informativo.
Milhares de iranianos voltaram a sair às ruas neste sábado, desafiando uma repressão crescente. Mesmo com o bloqueio quase total de internet imposto na quinta-feira, imagens ocorridas ao longo do dia mostraram grandes concentrações em Teerão.
Em Teerão, os manifestantes protestaram com cânticos contra o líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, e evocaram o regime deposto em 1979. Em Mashhad, cidade natal de Khamenei, registraram-se marchas e incêndios que sinalizam contestação duradoura.
As autoridades classificaram os protestos como vandalismo e acusaram os Estados Unidos de fomentá-los. O procurador-geral avisou que quem participar pode ser considerado inimigo de Deus, crime passível de pena de morte, conforme a retórica oficial.
Apesar das ameaças, novos protestos foram anunciados para o fim de semana. O exilado Reza Pahlavi pediu aos iranianos que mantenham as manifestações e tomem controlo das cidades, defendendo a exibição de símbolos pré-revolucionários, como a bandeira do leão e sol.
Bloqueio de internet e repressão
Organizações de direitos humanos indicam que dezenas de pessoas podem ter morrido e milhares detidas desde o início dos protestos, embora a verificação seja difícil sem dados independentes. Registos apontam também vítimas entre forças de segurança.
Relatos de ativistas, com apoio de redes alternativas, sugerem uso de força policial e munições reais contra manifestantes, reforçando a gravidade da resposta estatal durante o bloqueio de comunicações.
A precária avaliação da dimensão das manifestações é compensada por indicadores de maior adesão em várias cidades, e pela continuidade de intervenções das forças de segurança na esfera pública, de forma ostensiva.
Reações internacionais e fontes
A comunidade internacional tem pedido respeito pelos direitos humanos e fim da violência contra civis, sem interferir na soberania iraniana. A cobertura mediática permanece desafiada pela restrição de acessos à informação no país.
O movimento, que começou no final de dezembro por motivo económico, evoluiu para exigências políticas profundas. Analistas destacam o enfraquecimento regional do Irão como fator que aumenta a vulnerabilidade do regime a contestação interna.
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