- A inflação alimentar caiu, mas os preços nos supermercados continuam, em média, cerca de 33,2% acima do nível de 2016 a 2025 na União Europeia, refletindo fatores estruturais de custo.
- Quando a inflação diminui, os preços não recuam; apenas sobem mais devagar, o que mantém a subida de preços no carrinho de compras.
- Os salários no sector alimentar subiram em 2022 e 2023, aumentando os custos de produção e, por consequência, o preço final ao consumidor.
- A subida de custos a montante (insumos, fertilizantes) provoca maior pressão nos preços, com aumentos significativos em ovos, leite e cereais no primeiro trimestre de 2025.
- A média da UE oculta realidades mais duras no Leste, onde países como Roménia registam inflação alimentar muito superior e os salários representam uma fatia maior do rendimento familiar, aumentando a pressão no orçamento familiar.
A inflação alimentar tem recuado desde o pico de 2023, mas os preços dos supermercados na UE mantêm-se, em média, muito acima dos níveis pré-pandemia. O motivo não é apenas a inflação que mudou de ritmo, mas sim números estruturais que persistem e que se refletem nas compras diárias.
Entre 2016 e 2025, os alimentos e bebidas não alcoólicas registaram o maior aumento entre as categorias de consumo na UE, com 33,2%. Em termos globais, os preços dos alimentos estavam cerca de 46% acima de 2019 em meados de 2025, aponta a OCDE. A perceção de inflação pelos consumidores continua fortemente ligada aos gastos com comida.
A comida continua a aumentar de preço mesmo quando a inflação global abrandou. A redução do ritmo de subida não implica quedas de preços; a subida persiste, apenas mais suave, segundo dados harmonizados do Eurostat.
Despesas laborais e efeitos na conta
Salários no setor alimentar subiram em 2022 e 2023, o que se traduz em custos maiores para as cadeias de produção e distribuição. A subida média de remunerações na Europa em 2025 ficou acima da inflação alimentar, em torno de 5,1% globalmente, segundo o State of Grocery Europe 2026 da McKinsey.
Transportes, armazenagem e atividades relacionadas também viram aumentos salariais, pressionando o custo total. O ING Research estima que o trabalho corresponde entre 10% e 15% dos custos da indústria alimentar.
Custos a montante e resposta das prateleiras
Prevê-se que aumentos anteriores nos preços internacionais de commodities tenham impacto atrasado nas lojas, refletindo-se meses depois. Em 2025, 64 produtos monitorizados pelo Eurostat mostraram apenas oito quedas de preço entre os alimentos.
Dados recentes indicam que os custos de produção, como fertilizantes, subiram novamente; a ureia registou aumentos mensais significativos conforme o Banco Mundial. O BCE aponta para inflação de alimentos acima de 2% até 2027, com projeções internas.
Margens de retalho e realidade setorial
Muitos questionam lucros excessivos dos supermercados, mas análises indicam margens médias de EBIT no retalho europeu em torno de 2,8%. Estudos sugerem que muitas redes não recuperariam as margens pré‑pandemia até 2025, mesmo com custos pressionados.
Avaliando o conjunto da cadeia, a pressão dos custos — salários, energia, embalagens — tende a ser repassada aos preços, com velocidades variadas ao longo do tempo.
Desigualdades regionais
A inflação alimentar de 2025 diverge bastante na UE. França ficou em 0,7%, Roménia em 6,7%, e países da Europa de Leste mostram índices mais elevados. Em termos de IHPC, países como Letónia, Lituânia e Polónia apresentam valores significativamente superiores aos da França.
O peso da alimentação nos orçamentos familiares é maior no Leste europeu do que no Oeste. Na Roménia, cerca de 25% da renda é gasta em alimentos; na Alemanha, 11,5%; e em França, 0,7% de inflação não captura a diferença de custo.
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