- O diretor-geral da Mercedes-Benz, Ola Källenius, afirmou ao Wall Street Journal que a empresa está aberta a um possível envolvimento na indústria europeia de defesa, sem planos específicos anunciados.
- Källenius indicou que, se houver espaço, a defesa seria uma área de negócio complementar e representaria apenas uma pequena parte da atividade, em relação à produção de automóveis.
- O líder do grupo disse que o mundo se tornou mais imprevisível e que a Europa precisa de desenvolver capacidades de defesa, estando a Mercedes pronta para participar se puder contribuir positivamente.
- A notícia enquadra-se num contexto de crise na indústria automóvel alemã, enquanto outras empresas do setor de defesa procuram oportunidades, incluindo a Volkswagen e a Rheinmetall.
- Em fevereiro, a Mercedes anunciou uma queda de lucros de 10,4 mil milhões de euros para 5,3 mil milhões de euros em 2025, com o volume de negócios a recuar cerca de 9%.
A Mercedes-Benz abriu a porta a uma possível incursão no setor da defesa, afirmou o diretor-geral Ola Källenius numa entrevista ao Wall Street Journal. A ideia é que o grupo avalie, de forma complementar, projetos europeus de defesa, que entretanto ainda não têm planos concretos anunciados. O mundo tornou-se mais imprevisível e a Europa precisa reforçar capacidades de defesa, explicou o executivo.
Källenius insistiu que qualquer eventual negócio seria uma área de atuação adicional e representaria apenas uma pequena fração do negócio global da marca de automóveis. Não foram divulgados detalhes sobre produtos ou mercados-alvo. A Mercedes-Benz não apresentou uma declaração oficial sobre projetos concretos.
A pressão sobre a indústria automóvel alemã aumenta, com custos elevados e fraca procura na Europa. Mesmo assim, a defesa retorna à agenda de várias marcas, não apenas da Mercedes-Benz. A Volkswagen também analisa a possibilidade de produzir material de transporte militar, sem confirmar produção de armas ou tanques.
A Rheinmetall, fabricante de defesa, avalia converter parte de instalações ligadas à indústria automóvel em Neuss e Berlim para defesa. Contudo, a direção cita custos elevados e limitações técnicas para conversões, defendendo que só depois de estudos detalhados se decidirá sobre o caminho.
Outras empresas do setor têm aproveitado a crise automóvel para recrutar talento e explorar parcerias com indústrias ligadas à mobilidade. A Hensoldt, por exemplo, está a atrair quadros de empresas como a Continental e a Bosch para suprir escassez de mão de obra qualificada.
Enquanto as vendas da indústria automóvel alemã recuam, a defesa regista crescimento. Segundo o SIPRI, os 100 maiores fabricantes mundiais de armas registaram recordes de venda em 2024. Ainda assim, não está claro se a defesa pode compensar o abrandamento automóvel.
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