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Alfândega da Fé exige mais do Estado

Autarca de Alfândega da Fé acusa falha do Estado na coesão territorial; o município enfrenta despovoamento, investe na cereja com IGP

Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, artista plástico muito estimado no município
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  • O presidente da Câmara de Alfândega da Fé elogia o papel do poder local nos últimos 50 anos, mas critica a falta de visão estratégica do Estado para promover a coesão territorial.
  • O município destaca a melhoria de equipamentos básicos, económicas e culturais, como casas da cultura, bibliotecas, mercados, zonas industriais e infraestruturas desportivas.
  • O autarca admite que o grande problema continua a ser o despovoamento, com o concelho a perder mais de três mil habitantes nos últimos cinco décadas.
  • A acusação é de que os governos não tiveram estratégia suficiente nem financiamento estável para contrariar a tendência de fixação da população nos territórios.
  • O foco local está também na cereja, com a certificação da cereja de Alfândega da Fé como Indicação Geográfica Protegida (IGP) e perspetivas de boa produção em junho, apesar de queções este ano por chuva.

O presidente da Câmara de Alfândega da Fé reconheceu o papel essencial do poder local no desenvolvimento de territórios de baixa densidade nos últimos 50 anos. Em entrevista, destacou a melhoria de infraestruturas básicas, vias de acesso, mercados municipais e equipamentos culturais e desportivos. A análise surgiu no âmbito do programa Um dia no município, da TSF, em comemoração dos 50 Anos do Poder Local.

Apesar dos avanços, há uma perspetiva de continuidade do despovoamento. O autarca apontou que o concelho perdeu mais de três mil habitantes nos últimos cinco décadas e criticou a ausência de uma estratégia central capaz de inverter esse saldo. Sublinhou ainda que a descentralização recente carece de financiamento estável e de coerência entre medidas.

A autarquia, no entanto, destaca a resiliência local como fator transformador. Um produtor de cereja e dirigente de uma cooperativa explicou o sucesso da atividade na região, com a cereja de Alfândega da Fé a ter certificação de Indicação Geográfica Protegida há três meses. A qualidade assenta, segundo ele, nos solos de origem de xisto, que equilibram acidez e doçura, conferindo traços regionais distintos.

Transformação territorial e cereja com selo IGP

Ademais, o produtor salientou que o investimento agrícola ganhou impulso com o reconhecimento da IGP, que agrega valor ao produto local. O mesmo interveniente mencionou que a produção de cereja sofreu quebras na temporã devido às chuvas, embora exista otimismo para as cerejas de junho, que costumam manter boa produção.

No balanço, a câmara ressalta avanços em educação, cultura, desporto e infraestrutura, mas mantém foco no desafio populacional. A liderança municipal considera necessária uma visão estratégica do Estado para assegurar políticas coerentes e com continuidade nos territórios, evitando lacunas entre governos.

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