- Mestres em Educação ou Serviços Sociais ganham 8,7 euros por hora, cerca de metade dos mestres em TIC, que recebem 17,5 euros por hora.
- Áreas como Saúde, TIC e Gestão e Administração oferecem salários médios superiores para mestres, com vantagens de 51%, 28% e 35% respetivamente em relação aos licenciados.
- TIC é a área mais bem remunerada tanto para trabalhadores com mestrado (17,5 euros/hora) como para licenciados (13,7 euros/hora).
- Existem disparidades salariais significativas dentro das áreas: nos 10% mais bem pagos, os mestres em TIC ganham mais de 28 euros/hora, e nos 10% menos bem pagos menos de nove euros/hora; na Saúde, mais de 26 euros/hora vs. menos de sete euros/hora.
- Os autores alertam que as diferenças não se devem apenas ao diploma; ponderam fatores institucionais, pessoais e de mercado, e defendem formação ao longo da vida para melhorar o enquadramento dos diplomados.
O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostra que a diferença salarial entre mestres e licenciados varia conforme a área de estudo. Em Educação ou Serviços Sociais, os mestres ganham metade do que os de TIC, segundo “Ensino superior e emprego jovem em Portugal: tendências, resultados e comparações internacionais”.
Os dados indicam que, entre mestres, as áreas da Saúde, TIC e Gestão e Administração valorizam mais o diploma. Os mestres da Saúde recebem cerca de 51% a mais do que licenciados na mesma área; os de TIC cerca de 28% a mais; e os de Gestão e Administração cerca de 35% a mais.
Em termos de salários médios, as TIC lideram: 17,50 euros por hora para mestres e 13,70 euros por hora para licenciados. Seguem-se Matemática e Estatística e Engenharia, com valores entre 12,4 e 15,50 euros por hora para mestres.
Na prática, mestres em Educação ou Serviços Sociais ficam entre os menos remunerados. A diferença é particularmente marcada quando comparados com profissionais de TIC, onde a disparidade é mais evidente entre as camadas mais bem pagas e as menos bem pagas.
Disparidades dentro das áreas também aparecem. No conjunto das TIC, os 10% mais bem pagos ganham acima de 28 euros/h, enquanto os 10% menos bem pagos ficam abaixo de 9 euros/h. Na Saúde, a faixa varia entre 7 e 26 euros/h, consoante a posição na hierarquia salarial.
Os autores destacam que as diferenças salariais entre mestres, licenciados e diplomados com ensino secundário não devem ser vistas apenas como efeito direto do diploma. A combinação de fatores institucionais, pessoais e de mercado também influencia a valorização do grau.
Evolução geracional
O estudo analisa a evolução salarial entre gerações, de 1987 a 2002, considerando o regime pós-Bolonha. Em todas as gerações, os salários reais aumentam com a idade, independentemente do nível de instrução.
A vantagem do ensino superior sobre o secundário é consistente ao ingresso no mercado, e tende a ampliar-se com a experiência. O relatório aponta que o ensino superior, especialmente com mestrado, oferece ganhos maiores ao longo da carreira.
Entre as conclusões, destaca-se a necessidade de promover a aprendizagem ao longo da vida, facilitar o acesso ao ensino superior e valorizar aprendizagens prévias. Estas medidas são vistas como essenciais para atualizar conhecimentos e competências de quem tem apenas o ensino secundário.
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