- O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, disse que a União Europeia vai defender os seus empregos e indústrias, mesmo após China ameaçar retaliação.
- Pequim indicou contramedidas se a UE não suavizar a política industrial “Made in Europe” e a Lei de Cibersegurança, que podem restringir empresas chinesas no bloco.
- A UE apresentou propostas legislativas em cibersegurança e no mercado único, provocando reacções da China, que acusa práticas desleais.
- O défice comercial da UE com a China atingiu 359,3 mil milhões de euros em 2025, considerado insustentável pelo comissário.
- Šefčovič pediu negociações sérias e resultados concretos, convidando o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês a visitar Bruxelas para avaliação da situação.
O Comissário Europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, assegurou à Euronews que a União Europeia não recuará na defesa das suas indústrias, numa altura em que a China ameaça com contramedidas. As declarações surgem num contexto de esforço europeu para reforçar a política industrial do bloco e a soberania económica.
Šefčovič reiterou que a UE defenderá os empregos e as empresas europeias sempre que houver tratamento injusto, descrevendo a reação como firme, mas sem recorrer a guerras comerciais. Garantiu que Bruxelas não cede às pressões mediáticas e pediu paciência estratégica.
A China aumentou a pressão ao sinalizar retaliação caso a UE afirme medidas centrais da proposta Made in Europe e da Lei de Cibersegurança, que poderá limitar a entrada de empresas chinesas no mercado comum. Diplomatas dizem que Pequim não deseja escalada, mas manterá a sua posição.
Relações comerciais e desequilíbrios
O fiasco bilateral intensifica-se num ano em que o défice comercial com a China atingiu 359,3 mil milhões de euros em 2025, segundo dados da UE. O valor foi visto como insustentável por Šefčovič, que pediu uma resposta coordenada da UE.
A UE tem usado instrumentos de defesa comercial para combater alegados dumping e subsidiações chinesas, à medida que monitoriza a transferência de produção para fora da China e o redirecionamento de exportações para a Europa, face aos direitos aplicados nos EUA.
Perspetivas e próximos passos
Šefčovič mencionou a necessidade de negociações sérias com Pequim, afirmando ter convidado o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês a visitar Bruxelas para avaliar a situação com mais detalhe. O objetivo é obter compromissos construtivos por parte de Pequim.
A UE mantém a expectativa de resultados concretos na readequação das relações comerciais. Enquanto isso, Bruxelas continua a defender o acesso equitativo ao mercado e a proteger cadeias de abastecimento críticas para tecnologia, automóvel e defesa.
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