- A cunha fiscal do trabalho na Europa varia muito entre países; o Reino Unido aparece entre os mais baixos, mas há grandes diferenças na forma como o trabalho é tributado.
- Alemanha e França apresentam cunhas fiscais mais elevadas: 46,6% e 44,6% respetivamente, contra 29,2% no Reino Unido; Itália e Espanha também superam os 40%.
- Assim, a cunha fiscal na Alemanha é 59,4% superior à do Reino Unido e a França é 52,7% superior.
- No Reino Unido, parte das receitas vem de IVA e do council tax, com um défice orçamental estimado de 5,4% do PIB em 2025, o que permite uma carga menor sobre o trabalho.
- A composição da cunha fiscal (imposto sobre rendimento, contribuições sociais de trabalhadores e empregadores) varia entre países, com a Bélgica acima de 50% e a Suíça a ter a cunha fiscal mais baixa da Europa (23%), segundo a OCDE.
A cunha fiscal que incide sobre o custo do trabalho varia significativamente na Europa. O Reino Unido aparece entre os mais baixos, mas a leitura global esconde diferenças profundas entre países. Em termos simples, a cunha fiscal mede quanto do custo total do trabalho fica para o Estado, via impostos e contribuições.
Na Alemanha e em França, a cunha fiscal é aproximadamente o dobro da do Reino Unido. Em números relativos, Alemanha 46,6% e França 44,6% frente a 29,2% do Reino Unido. Itália e Espanha também superam os 40%. Dados constam do relatório 2026 da Tax Foundation, com base em 2025.
A explicação está na forma como cada governo financia serviços públicos e proteção social. Modelos baseados em seguros sociais elevam as contribuições obrigatórias para empresários e trabalhadores, aumentando a cunha global. A balança entre impostos diretos e benefícios condiciona o peso final.
O que significa isto na prática? O Reino Unido recorre a IVA e council tax para compor parte das receitas, reduzindo a pressão sobre o custo do trabalho. Especialistas apontam que o défice orçamental de 2025 também pesa na configuração fiscal britânica.
O que compõe a cunha fiscal?
Inclui imposto de rendimento, contribuições sociais dos trabalhadores e contribuições dos empregadores. A distribuição entre trabalhadores e empresas varia amplamente entre países, moldando quem suporta o encargo efetivo.
A Dinamarca, por exemplo, tem imposto de rendimentos elevado mas cunha global baixa, graças a prestações em numerário reduzidas. Em contraste, Roménia registra contribuições sociais altas para trabalhadores, com reflexo direto na cunha.
Em média, a UE e o Reino Unido situam-se próximo de 38,9%, com a maioria dos países acima dos 40%. A Suíça aparece com a cunha mais baixa na Europa, para referências de comparação internacional.
Observações adicionais
A leitura de diferentes bases — Tax Foundation e OCDE — pode variar por metodologia, nomeadamente na progressividade e nas prestações. O estudo analisa ainda como a repartição entre trabalhadores e empregadores altera o peso final da cunha.
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