- A venda total do Novo Banco ao grupo Banque Populaire et Caisse d’Epargne (BPCE) foi concluída nesta quinta-feira, com o fundo Lone Star e o Estado português a fechar o negócio.
- O Novo Banco, criado em 2014 na sequência da resolução do BES, é detido a 75% pelo Lone Star e a 25% pelo Estado, através do Fundo de Resolução bancário e da Direção-Geral do Tesouro e Finanças.
- O preço da venda deverá ficar acima dos 6,4 mil milhões de euros anunciados em junho de 2025, com ajustes dependentes da melhoria dos ativos e da redução de responsabilidades.
- O negócio beneficia o Lone Star, que pode ter uma valorização significativa face aos 1 mil milhões de euros investidos em 2017, e permite ao Estado recuperar parte dos custos da resolução do BES, estimados em cerca de 8 mil milhões de euros.
- O BPCE, gigante francês, entra pela primeira vez na banca de retalho em Portugal, mantendo o grupo já presente no crédito ao consumo e na banca de investimento no país.
O fundo Lone Star e o Estado português concluíram esta quinta-feira a venda da totalidade do Novo Banco ao grupo francês Banque Populaire et Caisse d’Epargne (BPCE), segundo a Lusa. A operação envolve a totalidade da participação no banco, adquirido em 2017.
O Novo Banco, criado em 2014 na sequência da resolução do BES, é detido em 75% pelo Lone Star e em 25% pelo Estado, via o Fundo de Resolução e a Direção-Geral do Tesouro e Finanças. Os termos da venda já tinham sido acordados em junho de 2024, após a verificação da aprovação regulatória.
Na semana passada, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, indicou que a conclusão ocorreria durante esta semana, sem revelar data. A formalização está prevista para hoje, sem cerimónia pública, com vários comunicados ao mercado sobre o negócio.
Valor e condições da venda
Fontes do sector referem à Lusa que o preço final deverá superar os 6.400 milhões de euros anunciados em junho de 2025. O ajuste poderá depender da melhoria dos ativos do banco em 2025, com lucro de 828 milhões de euros nesse ano, e de alterações de responsabilidades.
Caso o valor seja superior a 6.400 milhões, o montante a receber pela Lone Star e pelo Estado também aumentará. Obrigações já pagas e dividendos podem influenciar o montante final para cada acionista, refletindo a evolução do ativo e das contingências legais.
O negócio permite ao Estado português e ao Fundo de Resolução recuperar parte dos fundos públicos já investidos na instituição. Segundo o Ministério das Finanças, a venda, associada às distribuições de dividendos, deverá reduzir o custo líquido para perto de 2 mil milhões de euros.
BPCE e implicações para Portugal
O BPCE é um dos maiores grupos bancários de França e opera em Portugal principalmente em crédito ao consumo e banca de investimento. A aquisição marca a entrada do grupo na banca de retalho em Portugal, expandindo a presença já existente no país, incluindo o centro tecnológico Natixis no Porto.
O presidente do BPCE, Nicolas Nimas, reuniu-se com trabalhadores do Novo Banco para reiterar o caráter de investimento de longo prazo em Portugal. A transação confirma uma nova etapa na estratégia internacional do grupo e na reorganização do setor financeiro português.
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