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Empresários apontam carga fiscal elevada em Portugal como motor da emigração

Empresários afirmam que a elevada carga fiscal em Portugal leva jovens qualificados a emigrar, dificultando o retorno e a retenção de talento

Empresários apontam elevada carga fiscal em Portugal como principal razão para a emigração
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  • Empresários emigrantes apontam a elevada carga fiscal em Portugal como principal motivo para jovens qualificados emigrar e não regressar.
  • O presidente da Rede de Câmaras de Comércio Portuguesas no Mundo, Carlos Vinhas Pereira, afirmou que, em França, muitos emigrantes qualificados citam a carga fiscal de Portugal como fator de decisão.
  • O debate, no âmbito do fórum Portugal Nação Global em Lisboa, também destacou que França tem fiscalidade elevada, mas distribuída, enquanto Portugal aplica tributação distinta para diferentes rendimentos.
  • O economista Jaime Quesado afirmou que a carga fiscal em Portugal é elevada face a outros países, incluindo a Irlanda, que aposta em taxas mais competitivas para atrair investimento.
  • Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a carga fiscal em 2025 subiu para 35,4 por cento do PIB, o segundo valor mais alto nos últimos quinze anos.

Empresários emigrantes conduziram uma sessão dedicada à diáspora e à internacionalização das empresas, realizada em Lisboa nesta quarta e quinta-feira. O debate incidiu, sobretudo, sobre a carga fiscal em Portugal e o seu papel na emigração de jovens qualificados. A sessão ocorreu no âmbito do fórum Portugal Nação Global, dedicada à lusofonia.

Segundo os participantes, a elevada fiscalidade em Portugal seria a principal razão pela qual jovens talentosos deixam o país e não retornam. Um responsável da Rede de Câmaras de Comércio Portuguesas no Mundo apontou que muitos emigrantes qualificados citam a carga fiscal como motivação para a mudança.

A análise de referência comparou Portugal com França e outros mercados europeus, destacando diferenças na progressividade da taxação. O argumento central é que, em França, a incidência é mais abrangente, enquanto em Portugal a taxa de 44,6% aplica-se acima de rendimentos de 80 mil euros anuais, o que seria menos tolerado entre profissionais qualificados.

A leitura de especialistas aponta ainda para que a carga fiscal total é elevada porque o Estado financia muitos custos públicos. O economista Jaime Quesado registou que Portugal tem uma taxa de tributação elevada face a países como a Irlanda, que adota regimes fiscais mais atrativos para o investimento.

A recolha de dados oficiais acrescenta contexto. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a carga fiscal em 2025 manteve-se elevada, ascendendo a 35,4% do PIB, o segundo valor mais alto dos últimos 15 anos. O indicador mede a relação entre receitas fiscais e o Produto Interno Bruto.

Contexto económico e perspetivas

Entre os pontos debatidos, foi discutida a relação entre salários e decisão de mobilidade profissional. A avaliação aponta que rendimentos iniciais mais baixos dificultam a atração de jovens recém-formados frente a propostas salariais de outros países europeus.

Os participantes destacaram a necessidade de políticas que ataquem o desfasamento entre custos públicos e competitividade fiscal, com foco na atração de investimento e no crescimento inclusivo. A comparação com modelos de outros Estados-mundiais foi utilizada para fundamentar propostas de melhoria.

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