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Cacau chega a quase 3 mil euros por tonelada com tensões geopolíticas

Cacau ultrapassa 2.966 euros por tonelada, impulsionado por tensões geopolíticas, desvalorização do dólar e procura mais fraca, elevando custos de produção

Cacau
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  • O preço do cacau ultrapassou os 3.500 dólares por tonelada (cerca de 2.966 euros), o nível mais alto desde meados de fevereiro, impulsionado por tensões geopolíticas, queda do dólar e menor procura.
  • O encerramento do estreito de Ormuz está a afetar o mercado, interrompendo cadeias de abastecimento de fertilizantes e aumentando custos de transporte, prémios de seguros e combustível a nível mundial.
  • A ARET Iberia estima que, em 2026, o consumo mundial da campanha 2025/26 aumente apenas 0,7% (contra a média histórica de 2%), enquanto a produção deve subir 3%, o que pode gerar um excedente de 222.000 toneladas.
  • Em termos setoriais, a moagem de cacau no primeiro trimestre revelou divergências regionais: Europa -8% year-on-year, NA -3,8%, e Ásia +5% year-on-year e +13% face ao quarto trimestre de 2025.
  • O Irão informou que o estreito de Ormuz permanecerá totalmente aberto à navegação comercial até ao fim do cessar-fogo com os EUA, previsto para a quarta-feira seguinte.

O preço do cacau voltou a superar os 3.500 dólares por tonelada, o máximo desde meados de fevereiro, impulsionado por tensões geopolíticas, desvalorização do dólar e menor procura. A leitura é de que o custo de produção pode aumentar devido a interrupções na cadeia de abastecimento.

Segundo o portal Trading Economics, o encerramento do estreito de Ormuz prejudica o fornecimento global de fertilizantes, elevações nos custos de transporte marítimo e prémios de seguros, contribuindo para margens de custo mais altas. O impacto importaria uma pressão adicional sobre o mercado.

A consultora Areté Iberia, representada por José Vicente Mateos, aponta que a procura mundial em 2025/26 deverá crescer apenas 0,7%, face a uma média histórica de 2%, enquanto a produção pode subir 3%, potencialmente gerando excedente de 222.000 toneladas em 2026.

No primeiro trimestre de 2026, a moagem de cacau divergiu entre regiões. A Europa registou queda homóloga de 8%, com aumento de 7% face ao último trimestre de 2025. A América do Norte mostraram recuo de 3,8%.

Em contrapartida, a Ásia viu um aumento de 5% na comparação anual e de 13% em relação ao quarto trimestre de 2025, segundo dados da Cocoa Association of Asia. A arsenia de fatores financeiros e geopolíticos, além de receios sobre a próxima campanha, mantém a volatilidade, afirmam especialistas da Areté Iberia.

Nesta sexta-feira, o Irão indicou que o estreito de Ormuz permanecerá aberto à navegação comercial até ao fim do cessar-fogo com os Estados Unidos, previsto para quarta-feira, após a trégua no Líbano. O mercado acompanha se o desfecho reduz custos logísticos e stabiliza o fluxo de cacau.

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