- O ministro das Finanças polaco, Andrzej Domański, discutiu a reserva de dinheiro em caso de crises digitais numa entrevista ao programa Graffiti, no Polsat News.
- O tema ganhou impulso após recomendações da autoridade monetária da Estónia para os cidadãos terem em casa uma reserva suficiente para uma semana de vida quotidiana.
•Os especialistas dizem que falhas nos sistemas de pagamento, ciberataques ou cortes de energia podem tornar o dinheiro líquido o único meio de pagamento disponível.
- Na Polónia, entre 70 a 80% dos polacos utilizam cartões ou pagamentos móveis, mas muitos residentes afirmam guardar dinheiro para dias de emergência.
- A União Europeia está a preparar o euro digital e, se regulamentos relevantes forem aprovados ainda este ano, a primeira emissão digital pode ocorrer em 2029, com limites a levantamentos a partir de 2027.
O ministro das Finanças da Polónia, Andrzej Domański, afirmou num entrevista no Polsat News que a reserva de dinheiro físico pode tornar-se necessária em crises digitais. A declaração surge num contexto de debates sobre a credibilidade dos pagamentos eletrónicos em situações de falhas no sistema.
A conversa parte de recomendações do banco central da Estónia para que os cidadãos mantenham uma reserva de dinheiro suficiente para uma semana. Os especialistas apontam riscos como falhas nos sistemas de pagamento, ciberataques e cortes de energia que podem impedir transações digitais.
Domański destacou que os polacos já gostam de manter poupanças em numerário, justificando que não é apenas uma resposta a cenários extremados, mas a possibilidade de interrupções de curta duração que podem afetar pagamentos. A avaliação foi feita à luz de falhas ocorridas nos últimos anos.
Este tema coincide com o incremento do uso de pagamentos sem dinheiro na Polónia, onde cerca de 70 a 80% dos cidadãos recorrem a cartões ou pagamentos móveis. Mesmo assim, muitos residentes respondem afirmativamente quando questionados sobre poupar dinheiro para dias de necessidade.
A discussão acontece num momento em que a União Europeia trabalha no euro digital, empreendimento estratégico para reduzir dependências de sistemas externos, como Visa ou Mastercard. O regulamento europeu visa, entre outros, criar uma infraestrutura de pagamentos em euros digitais.
Segundo o Banco Central Europeu, a primeira emissão de euros digitais poderá ocorrer em 2029, desde que os regulamentos da UE entrem em vigor este ano. A implementação está alinhada com o objetivo de manter operações de pagamento estáveis, mesmo em cenários de crise.
A UE prevê, a partir de 2027, limites para levantamentos em numerário acima de 10 mil euros, com possíveis exigências de identificação e aprovação de instituições competentes. Medidas visam combater branqueamento de capitais, mas geram debates sobre restrição de uso quotidiano do dinheiro.
A visão de um modelo híbrido está a ganhar forma: notas, cartões e euro digital podem coexistir, cada um com papel distinto. A direção passa por fortalecer a resiliência financeira sem excluir a prática tradicional de uso do dinheiro em espécie.
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