- Em 2025, cerca de 20% do crédito habitação concedido beneficiou da garantia do Estado, segundo o Banco de Portugal.
- A medida permitiu aos jovens acederem a 100% do financiamento, aumentando a parcela de contratos para até 35 anos de 40% (2024) para 54% (2025).
- O valor médio do financiamento com garantia foi de 207 mil euros em dezembro de 2025, acima dos 174 mil euros do crédito sem garantia.
- Mutuários com garantia apresentam rendimentos líquidos médios mais baixos e taxa de esforço superior: cerca de 1.400 euros por titular com dois mutuários e 2.100 euros com um; na média do crédito, 2.200 euros e 3.000 euros, respetivamente, para o total. A DSTI média foi de 34% (com garantia) versus 29% (jovens até 35 sem garantia) e 30% no conjunto.
- O BdP alerta para riscos: choques económicos podem afetar a solvabilidade, com maior endividamento e maturidades mais longas a tornar estes mutuários mais vulneráveis; a medida pode ainda contribuir para uma subida dos preços da habitação devido à procura direccionada.
O crédito com garantia do Estado para habitação está a ser visto como bem-sucedido, mas levanta preocupações a partir da evolução prevista para 2026. Em 2025, o BdP indica que cerca de 20% do total de empréstimos para casa beneficiaram da garantia pública.
A medida facilitou que jovens acedam a 100% do financiamento, ultrapassando limites de 85% a 90% do rácio financiamento/valor. Assim, a quota de mutuários até aos 35 anos nos novos contratos subiu de 40% em 2024 para 54% em 2025.
No entanto, os dados revelam sinais menos positivos. O montante médio financiado com garantia foi de 207 mil euros em dezembro de 2025, superior aos 174 mil euros do crédito sem garantia, aumentando a exposição média do conjunto de mutuários.
Os titulares com garantia tendem a ter rendimentos líquidos mais baixos e uma taxa de esforço superior. O rendimento líquido médio mensal é de cerca de 1 400 euros por titular com dois mutuários, e 2 100 euros com apenas um mutuário, face a 2 200 euros e 3 000 euros, respetivamente, no crédito global.
A distribuição por escalões de rendimento mostra concentração nos 3.º e 4.º quintis para quem tem garantia, ao passo que o crédito geral tem maior incidência nos escalões superiores. A DSTI média situa-se em 34% para a garantia, frente a 29% para jovens até 35 sem garantia.
Riscos e impactos
O Banco de Portugal alerta que choques económicos, como uma recessão, podem aumentar perdas por incumprimento e comprometer a capacidade de concessão de crédito. Maturidades mais longas, associadas à garantia, elevam a vulnerabilidade a choques adversos.
A transferência de risco para o Estado, associada à garantia, não elimina riscos para a estabilidade financeira a médio e longo prazo, especialmente com maior endividamento e DSTI elevado. Isso pode reduzir consumo e investimento em cenário de adversidade.
Além disso, o BdP aponta que a procura facilitada por este segmento, num mercado com oferta ainda rígida, pode contribuir para a subida dos preços da habitação em Portugal, mantendo o desafio de acessibilidade.
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