- A Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou a libertação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo, numa resposta à instabilidade provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
- Portugal é um dos países-membros que deverá libertar parte das suas reservas, com o governo a anunciar a disponibilidade de 10 por cento do total armazenado, equivalente a dois milhões de barris.
- O objetivo é aumentar a oferta e conter os preços dos combustíveis, numa altura em que a disrupção no abastecimento persiste devido ao conflito entre EUA/Israel e o Irão.
- As reservas petrolíferas portuguesas, segundo a ENSE, somavam 1,56 milhões de toneladas, com 938 mil toneladas físicas e 623,9 mil toneladas sob a forma de “tickets” (outras entidades ou países).
- A libertação deve ser temporária, visando estabilizar mercados; após o período, espera-se repor as reservas até aos 90 dias de consumo, processo que pode durar cerca de três meses. Ainda não há decisão oficial sobre o timing exacto de reposição.
Portugal pode libertar parte das reservas de petróleo para conter preços, mas alerta-se para maior exposição se a situação se agravar. A decisão surge no contexto do bloqueio do Estreito de Ormuz e da redução potencial da oferta global.
A Agência Internacional de Energia aprovou a libertação de 400 milhões de barris, a maior intervenção de emergência de sempre. Portugal, como membro da AIE, integra os países que devem disponibilizar parte das reservas para aumentar a oferta.
Anthony Comprido, secretário-geral da EPCOL, explicou à Euronews que a libertação visa compensar reduções de disponibilidade provocadas pela tensão no Irão, mas que o uso excessivo aumenta a exposição futura do país a choques.
Reservas portuguesas, estado atual e distribuição
Segundo dados da ENSE relativos ao último trimestre de 2025, Portugal detinha 1,56 milhões de toneladas em reservas, com 938 mil toneladas físicas e 623,9 mil toneladas em tickets. Espanha e Países Baixos aparecem como detentores de parte dos tickets.
Da reserva física, 538 mil toneladas eram crude, 297,9 mil de gasóleo, 51,4 mil de gasolina e 51 mil de GPL e fuel. A repartição envolvia a Petrogal em Sines, Géosel, CLC e outras instalações nacionais e estrangeiras.
Efeitos sobre preços e objetivos da libertação
António Comprido salientou que a medida pretende sinalizar o reforço de oferta, porém as libertações anteriores não garantiram queda imediata dos preços. A AIE indicou que as reservas entrarão nos mercados globais, com aplicação faseada por regiões.
O objetivo declarado é travar parcialmente a subida dos preços, sem, contudo, prometer resultados rápidos. A decisão analisa-se por fases, com entrada imediata na Ásia-Oceania e, mais tarde, nas Américas e Europa.
Duração, reposição e futuras ações
A libertação será temporária, com países a manterem reservas que correspondem a 90 dias de consumo. A reposição está prevista para ocorrer ao longo de dias ou semanas, buscando retornar aos 90 dias dentro de cerca de três meses.
Uma reunião de chefes de governo da UE pode definir o timing exato da reposição. Mesmo assim, persiste a incerteza sobre uma possível segunda tranche de libertações, dependendo da evolução da crise.
Perspetivas e cautelas frente à imprevisibilidade
O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, sugeriu que poderá haver mais liberações além das já anunciadas, se for necessário. O contexto é marcado por uma grande imprevisibilidade no setor energético, com o impacto do conflito no Irão a manter-se incerto.
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