- A Deco defende que as famílias adotem uma gestão financeira mais estratégica, identificando despesas essenciais e evitando desperdícios.
- O tema foi discutido no podcast Lusa Extra, com Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco.
- Recomendam-se monitorizar receitas e despesas, definir prioridades e envolver todos os membros do agregado para preparar o orçamento face a dificuldades.
- Em energia e combustíveis, sugere-se comparar preços, aproveitar promoções e adotar hábitos de condução que reduzam o consumo; pode haver pressão sobre o crédito à habitação com o aumento esperado das Euribor.
- Há ainda a necessidade de acompanhar a evolução das Euribor, compreender as condições dos empréstimos e considerar renegociação, transferência entre bancos ou taxa mista; o cabaz alimentar já subiu 10 euros em menos de um mês e exige planeamento.
A Deco recomenda que as famílias adotem uma gestão financeira mais estratégica para atravessar períodos de incerteza económica. A sugestão surge no âmbito de um episódio do podcast Lusa Extra, da Agência Lusa, que contou com a participação de Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco. A ideia é ir além do simples registo de receitas e despesas.
Segundo Natália Nunes, o ambiente internacional exige uma reconfiguração das prioridades familiares. O objetivo é identificar despesas essenciais, evitar desperdícios e envolver todos os membros do agregado na construção de um orçamento resiliente para enfrentar imprevistos. A responsável lembrou que planos de curto prazo sem reflexão sobre prioridades não são suficientes.
A coordenadora sublinhou ainda que, na presente década, os obstáculos económicos passam por inflação, subida de juros e aumento do custo de vida. A referência a acontecimentos no Médio Oriente é mencionada como fator que pode amplificar a volatilidade dos preços da energia e impactar várias áreas da economia.
Contexto económico e energia
No que diz respeito à área da energia e combustíveis, a Deco recomenda comparar preços entre postos, aproveitar promoções e adotar hábitos de condução que reduzam o consumo. O objetivo é evitar o desperdício de dinheiro, afirmou a responsável, destacando que o rendimento mensal deve ser utilizado com critério.
Sobre o crédito à habitação, Natália Nunes alertou para a possibilidade de nova pressão nos encargos, perante expectativas de subida das taxas de juro do BCE para conter a inflação. As Euribor a 3, 6 e 12 meses têm vindo a subir desde março, o que pode afetar prestações de contratos com taxa variável já a partir de abril. Foi enfatizado que os consumidores devem acompanhar a evolução das Euribor e entender as condições dos empréstimos, como indexante, spread e periodicidade de revisão, para verificar se as prestações cabem no orçamento.
Entre alternativas estão a renegociação das condições do crédito, a transferência para outra instituição ou opções como a taxa mista, com um período inicial de taxa fixa. Na alimentação, a Deco aponta que o cabaz alimentar tem mostrado aumentos, o que torna esta rubrica especialmente sensível aos orçamentos familiares.
A especialista ressaltou que é possível reduzir custos na alimentação com planeamento de refeições, listas de compras e comparação de preços entre supermercados. Mesmo em tempos de contenção, é possível manter o orçamento estável com uma gestão proativa e planeada.
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