- O texto analisa a cooperação descentralizada e a valorização das áreas de baixa densidade (ABD), destacando a relação entre espaços de fluxos e espaços-rede de lugares, agravada pela digitalização.
- Propõe fortalecer as hiperligações entre lugares por meio de exemplos práticos, como SAP intermunicipais, zonas de intervenção florestal, parques naturais, zonas industriais, complexos hidroagrícolas e ecossistemas tecno-digitais e educativos.
- Aponta uma debilidade estrutural nas ABD pela falta de massa crítica e defende uma coordenação efetiva entre as entidades regionais, universidades e associações para uma ação coletiva e gestão integrada.
- Recorda a estratégia nacional para territórios inteligentes (ENTI) de dezembro de 2023 e defende a criação de ecossistemas inteligentes com centros de inteligência territorial, plataformas analíticas, espaços de coworking e redes de inovação.
- Conclui que vivemos numa era tecno-digital com múltiplos lugares e modalidades de presença, defendendo liderança e Governança multiescalar para realizar uma economia criativa intermunicipal e multiterritorial.
O artigo discute a geoeconomia dos fluxos e dos espaços-rede de lugares, destacando a importância de valorizar as áreas de baixa densidade (ABD). O foco é entender como espaços de fluxos se conectam com lugares, para fortalecer a cooperação territorial.
Segundo o texto, a mobilidade e a velocidade ditam o tempo atual, com a digitalização a intensificar a diferenciação entre destinos com sinais distintivos e zonas mais remotas. Os lugares não são neutros, mas resultam de camadas de ações humanas e naturais.
A autora identifica uma dialética entre espaços de fluxos e espaços-rede de lugares, acelerada pela informação digital. A pergunta central é como aproveitar essa relação para promover uma cooperação multiterritorial mais criativa e eficaz.
O diagnóstico aponta para ciclos com durações diferentes entre clima, tecnologia, ecologia e economia. Clima, tecnologia e ecologia apresentam variações que impactam o desenvolvimento, exigindo respostas coordenadas e estruturadas.
Entre as propostas, destacam-se serviços ambulatórios de proximidade, zonas de intervenção florestal e áreas protegidas que funcionam como infraestruturas verdes. Esses instrumentos visam ligar territórios e reduzir vulnerabilidades.
Parques naturais, geoparques, zonas termais e parques agroecológicos aparecem como suportes para sistemas agroalimentares locais, bem como instrumentos de turismo sustentável e de ordenamento territorial. A ideia é criar redes de valor multiterritoriais.
Outros elementos incluem zonas industriais e parques empresariais orientados por uma economia circular, bem como complexos hidroagrícolas que articulam clusters agroalimentares. O objetivo é formar cadeias de valor regionais mais resilientes.
A relação entre cooperação territorial e governança é reforçada por exemplos de ecossistemas tecno-digitais, educativos e socioculturais. Centros de investigação, living labs e redes artísticas estruturam a colaboração entre regiões.
A autora recorda a existência da estratégia nacional para territórios inteligentes (ENTI), aprovada em dezembro de 2023. A ENTI define centros de inteligência territorial, plataformas analíticas e espaços de coworking como pilares de ação.
Conclui-se que as ABD enfrentam um desafio de sustentabilidade a médio prazo. O texto sustenta que a construção de um espaço-rede de lugares exige liderança, governança multiescalar e cooperação entre CCDR, CIM, universidades e associações empresariais.
A ideia central é que, na era tecno-digital, diferentes lugares convivem como espaços de residência, trabalho, lazer e estudo. A antropologia dos espaços de cooperação territorial pode avançar com estruturas de missão executivas e um associativismo fortalecidos.
Por fim, a autora aponta que a solução está presente, esperando apenas liderança e discernimento para criar uma economia criativa intermunicipal e multiterritorial, apoiada por dispositivos digitais e redes de cooperação.
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