- A entrada em bolsa do Fundo Nacional de Investimento do Uzbequistão, gerido pela Franklin Templeton, angariou mais dinheiro do que todas as OPI realizadas no país nos últimos trinta anos.
- O negócio evidenciou o foco dos investidores na governação, liquidez e na evolução das regras que sustentam mercados de capitais, dívida, capital de risco e investimento privado.
- O governo prepara um Centro Financeiro Internacional de Tashkent com jurisdição baseada em common law e fifty anos de incentivos fiscais, incluindo isenções de imposto sobre o rendimento das sociedades, IVA, património e direitos aduaneiros.
- Estão em avaliação leis sobre investimentos alternativos para proteger o capital de risco, o investimento LP/GP (limited partnership/general partner) e o capital privado no Uzbequistão.
- Analistas dizem que é preciso mais empresas, maior liquidez e participação de investidores institucionais estrangeiros, além de reformas que liberalizaram a moeda e facilitaram a repatriação de lucros.
A maior operação de sempre do Uzbequistão nos mercados de capitais captou o interesse de investidores pela trajetória de reformas económicas do país, ao mesmo tempo que concentra atenções na próxima fase de desenvolvimento. A entrada em bolsa do Fundo Nacional de Investimento do Uzbequistão, gerido pela Franklin Templeton, angariou mais do que todas as IPOs do país nos 30 anos anteriores combinadas, segundo Marius Dan, da Templeton Global Investments.
Especialistas destacam que o episódio coloca a tónica em como o Uzbequistão pode criar regras, instituições e liquidez para financiar dívida, capital de risco e investimento privado. Julia Hoggett, da Bolsa de Londres, sublinha que investidores analisam fundamentos como moeda, inflação, crescimento e enquadramento regulatório antes de avaliar promessas institucionais.
Construir a infraestrutura de investimento
Laziz Kudratov, ministro do Investimento, Indústria e Comércio, indicou que a nova legislação financeira sobre o Centro Financeiro Internacional de Tashkent deverá ser assinada em breve. O objetivo é criar uma jurisdição com princípios de common law e incentivos fiscais por 50 anos para atrair instituições estrangeiras.
A proposta inclui ainda legislação para estruturas de investimento alternativas, como capital de risco, privado e modelos LP/GP. Kudratov afirma que a lei de investimento alternativo oferecerá proteção aos fundos locais e internacionais.
Finanças públicas e governança
Marius Dan afirma que a IPO do Fundo Nacional de Investimento demonstra o interesse de investidores internacionais quando as estruturas são adequadas. A evolução sugira maior participação de ativos estatais no mercado, dentro e fora da carteira do fundo.
Kudratov lembra que reformas desde 2017, com liberalização cambial e desburocratização, facilitaram a repatriação de lucros. Hoggett ressalta que a confiança exige histórico verificável e provas de resultados.
Participação e liquidez
Dan aponta para a necessidade de mais empresas, maior liquidez e investidores institucionais estrangeiros no médio prazo. A participação de mais emissores estatais pode ampliar o universo de investimento e atrair capital doméstico.
Hoggett diz que mercados públicos ganham em acessibilidade, abrindo oportunidades para um conjunto maior de investidores acompanharem o crescimento das empresas, com maior divulgação de informações.
Governação e disciplina de mercado
A governação permanece central para o desenvolvimento, com várias empresas da carteira do Fundo Nacional de Investimento a nomear administradores independentes. Dan realça a importância da governação corporativa e da supervisão de estatais.
Hoggett afirma que a disciplina de mercado surge pela observação de promessas cumpridas e de metas reais. Para isso, as empresas devem possuir contabilidade sólida e planeamento financeiro robusto, potenciando o crescimento.
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