- O presidente do Conselho Europeu propôs abrir canais de comunicação entre Bruxelas e Moscovo, o que abriu um fosso entre os líderes da UE.
- A iniciativa de António Costa não foi encarada como coordenação com a Ucrânia, sendo vista como uma tentativa de se posicionar como emissário do bloco.
- O debate gerou resistência em alguns países, nomeadamente na Alemanha e na França, dois membros do grupo E3, que já mantinham contatos diretos com Moscovo.
- A Ucrânia pediu mais envolvimento da UE nas negociações, ao mesmo tempo que os líderes destacaram a necessidade de manter pressão com sanções e preparar a posição europeia.
- Embora haja algum apoio à ideia de Costa, não está definido quem conduzirá as negociações; as conclusões sobre o tema permanecem abertas e não esperam retomar negociações já amanhã.
O Conselho Europeu discutiu a Ucrânia após a divulgação de diligências de António Costa para restabelecer canais com o Kremlin. A iniciativa visava abrir linhas de comunicação entre Bruxelas e Moscovo, desafiando a linha oficial da UE.
A proposta foi vista por alguns como uma tentativa de Costa assumir um papel de emissário do bloco, em vez de coordenar com a Ucrânia, segundo fontes próximas. O gesto gerou uma leitura de falta de unidade.
Durante a sessão, a discussão estendeu-se por mais de quatro horas, com intervenções de Zelensky para reforçar o papel da UE. A reunião decorreu sem telemóveis na sala e sem relato direto às delegações.
Entre os apoios ao movimento de Costa, surgiram divergências significativas. Países da E3 — Alemanha, França e Reino Unido — parecem reluctantes, tendo já contatos separados com Moscovo.
O chanceler alemão manifestou relutância quanto a transferir a diplomacia trilateral para Bruxelas. O presidente francês também não mostrou entusiasmo com a ideia de um papel central da UE.
O primeiro-ministro irlandês destacou que o presidente do Conselho Europeu representa a UE nos processos de negociação, mas reforçou a necessidade de perceber o interesse russo. A UE não assume, segundo ele, o papel de mediadora independente.
O chanceler austríaco comentou que não houve críticas a Costa e que é essencial ter canais prontos para futuras negociações, desde que haja perspetiva real de participação russa. Putin, contudo, não estaria disposto a sentar-se à mesa.
Embora haja otimismo quanto ao rendimento das forças ucranianas, não há indicação de que negociações prossigam já. O objectivo principal é coordenar a mensagem da UE para Putin.
O primeiro-ministro holandês defendeu que se deve pressionar a Rússia a negociar, mantendo sanções, e manifestou desagrado por não ter sido informado previamente sobre os contactos de Costa.
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