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Ex-capitão da GNR admite importação de cocaína para pagar dívidas do pai

Ex-capitão da GNR admite importação de mais de uma tonelada de cocaína para pagar dívidas do pai; julgamento aponta rede internacional de tráfico

Arguidos estão a ser julgados no Tribunal S. João Novo, no Porto
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  • O ex-capitão da GNR admitiu ter importado mais de uma tonelada de cocaína para pagar dívidas do pai.
  • O oficial, ex-comandante em Fafe, a mulher Catia e o irmão estão a ser julgados por tráfico internacional de droga e branqueamento de capitais.
  • Os arguidos ficaram em silêncio durante o tribunal; a presidente do coletivo decidiu reproduzir as declarações do principal arguido no primeiro interrogatório.
  • Foram detidos a cinco de agosto do ano passado, ao receberem num armazém de Fafe três contentores com 1,3 tonelada de cocaína escondida em peles vindas da República Dominicana.
  • A droga teria entrado em Portugal pelo Porto de Leixões, através de uma empresa que seria fachada; o Ministério Público aponta um património superior a 1,3 milhões de euros e pediu que esse valor reverta para o Estado.

O ex-capitão da GNR, Ricardo Portal, admitiu ter importado mais de uma tonelada de cocaína para pagar dívidas do pai. O material foi transportado de forma encoberta em peles de animais importadas da América Latina e chegou ao Porto de Leixões, segundo a investigação. O julgamento sofreu adiamento após o início das alegações iniciais.

Portal, que já comandou a GNR em Fafe, encontra-se em prisão preventiva desde agosto do ano passado, tal como o irmão. A mulher do capitão, Catia, está em liberdade com termo de identidade e residência. Os três arguidos foram detidos em flagrante a 5 de agosto, ao receberem três contentores com cerca de 1,3 mil quilos de cocaína.

A droga foi ocultada entre 70 toneladas de peles exportadas da República Dominicana, em operação coordenada por uma empresa supostamente criada para o efeito. O Ministério Público sustenta que as operações teriam envolvido o tráfico internacional via o Porto de Leixões.

Processo e contexto

O MP aponta um património do capitão superior a 1,3 milhões de euros, considerado incompatível com os rendimentos declarados, e pediu que esse montante reverta para o Estado. O arguido, com 34 anos na altura e formação na Academia Militar, mantinha uma vida profissional promissora antes de se licenciar sem vencimento para gerir o negócio familiar.

O negócio, agora apontado como fachada para tráfico, envolve a participação da mulher e do irmão. O processo segue com a audição de inspetores da Polícia Judiciária, que investigaram o caso após a detenção inicial. O tribunal abriu a sessão com a leitura do resumo das declarações.

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