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Diagnóstico mais completo revela degradação acelerada do oceano

A degradação acelerada do oceano eleva zonas mortas e o nível do mar, comprometendo ecossistemas, economia e comunidades costeiras

O número de espécies marinhas documentadas e ameaçadas de extinção aumentou, reflectindo uma deterioração que se aprofunda de ano para ano
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  • A 3.ª Avaliação Oceânica Mundial (WOA III) alerta que o oceano está a mudar mais depressa do que a governação global acompanha, com impactos na economia e nas comunidades.
  • Em 2023, a subida do nível do mar atingiu 4,3 milímetros por ano; o oceano absorveu mais de 90% do calor excedente e 30% das emissões de CO₂, causando acidificação e zonas mortas.
  • A perda de gelo no Ártico e na Antártida, bem como alterações climáticas rápidas, sinalizam uma transformação global com alguns sistemas a atingir ou já ultrapassar pontos de não retorno.
  • O documento aponta impactos generalizados sobre micróbios, peixes, recifes de coral e habitats costeiros, com 1.685 espécies marinhas documentadas como ameaçadas, segundo o Starfish Barometer 2026.
  • A avaliação defende uma governação oceânica que inclua conhecimento tradicional, género e justiça social; refere avanços como o Acordo sobre Subsídios à Pesca da OMC e o Tratado do Alto-Mar (BBNJ), embora a implementação e a coordenação sejam desafios.
  • Em Portugal, os Açores destacam-se pela maior rede de Áreas Marinhas Protegidas da Europa, enquanto a costa noroeste enfrenta erosão; há preocupações com poluentes no estuário do Tejo e com queda do investimento público em tecnologia marinha, apesar de vitórias em pesca sustentável.

O oceano continua a mudar mais rápido do que a governação global consegue responder, segundo a 3.ª Avaliação Oceânica Mundial (WOA III). A análise, encomendadas pelas Nações Unidas, alerta para uma crise acelerada com impactos na economia e nas comunidades costeiras. O documento resume anos de investigação e dados de várias áreas.

A subida do nível do mar atingiu 4,3 mm por ano em 2023, impulsionada pelo aquecimento e pela expansão térmica. O oceano absorveu mais de 90% do calor excessivo e 30% das emissões de CO2, agravando a acidificação e expandindo zonas hipóxicas onde a vida marinha é severamente afetada.

A WOA III destaca ainda a perda de gelo no Ártico e na Antártida, sinais de transformação que afeta padrões climáticos globais. A velocidade de alterações é sem precedentes, com risco de atingir pontos críticos de não retorno em vários sistemas.

A vida que se perde

Pressões humanas e climáticas causam impactos em micróbios, peixes, mamíferos e habitats, desde costas até planícies abissais. Recifes de coral enfrentam branqueamento frequente de intensidade sem paralelo. Pescas globais sofrem com stocks em declínio.

Habitats costeiros como mangais, praderias marinhas e estuários continuam a ser destruídos, colocando em risco berçários de muitas espécies. O Starfish Barometer 2026 aponta 1685 espécies marinhas documentadas e ameaçadas de extinção, uma cifra que aumenta anualmente.

A dimensão humana que falta

A WOA III expande a análise para além da ecologia, sublinhando a necessidade de governação oceânica que incorpore género, equidade e saber tradicional local. Comunidades dependentes do oceano, como pescadores artesanais e povos costeiros, são os mais afetados pelos impactos.

Modelos de gestão que valorizam saberes indígenas e conhecimentos locais mostram maior probabilidade de restabelecer a saúde dos ecossistemas. Instrumentos como o Tratado do Alto-Mar (BBNJ) e acordos da OMC sobre subsídios à pesca marcam avanços relevantes.

Avanços legais e desafios

O BBNJ permite proteger ecossistemas em largas áreas do oceano internacional, um passo histórico. Contudo, a eficácia depende da implementação prática, num contexto de governação oceânica fragmentada e com retratos de esforço variado.

No Atlântico Norte, a área protegida do campo hidrotermal Luso é destacada como medida relevante. O relatório também avalia que a cooperação internacional ainda enfrenta lacunas institucionais a superar.

Portugal entre boas práticas e atrasos

Nos Açores, uma participação pública com base científica levou à maior rede de Áreas Marinhas Protegidas da Europa, cobrindo 287 mil km². Cerca de 15% da rede tem proteção total ou alta proteção, com ganhos para peixes de grande porte e habitats profundos.

A costa noroeste é apontada como exemplo de vulnerabilidade costeira europeia, com erosão prevista a longo prazo devido à subida do nível do mar. O estuário do Tejo apresenta concentrações de poluentes como fluoxetina, beta-bloqueadores e PFAS, conforme o Starfish Barometer 2026.

Português na prática da gestão

INE, em 2026, indica que 100% das espécies avaliadas pela ciência são pescadas de forma sustentável, conforme Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por outro lado, o investimento em investigação marinha caiu de 2,1% para 1,7% do total de I+D em 2016-2022, atraso que contraria metas para um país com vasto território marítimo.

A avaliação internacional realça ainda que Portugal tem boas práticas, mas enfrenta atrasos em áreas críticas, como financiamento à tecnologia marinha e implementação de políticas de proteção ambiental. O relatório incentiva manter a progressão de áreas protegidas e cooperação transnacional.

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