- O presidente Emmanuel Macron reconheceu que houve uma falha no sistema judicial no caso da jovem Lyhanna, afirmando que é preciso esclarecer lacunas e responsabilidades.
- A autópsia do corpo encontrado perto da aldeia de Puycasquier, no Gers, deverá ser concluída hoje para confirmar identidade, causas da morte e se houve violência sexual.
- O corpo foi encontrado num silo de uma exploração agrícola e veste roupas semelhantes às que a menina de 11 anos usava antes de desaparecer.
- O principal suspeito é Jérôme Barella, de 41 anos, pai de dois filhos, que já foi acusado várias vezes de abuso sexual de menores; desde a inclusão no processo não respondeu a perguntas da juíza.
- Responsáveis políticos de vários quadrantes solicitam reforma do sistema judicial e maior proteção de crianças, com apelos a medidas e leis mais firmes, mas com diferentes propostas.
O presidente francês Emmanuel Macron reconheceu nesta sexta-feira uma falha no sistema judicial no caso da menina Lyhanna, cujo desaparecimento mobiliza o país. A declaração foi feita a partir de Montenegro, onde o chefe de Estado se encontra, e visa destacar a necessidade de esclarecer lacunas e responsabilidades. O objetivo é reforçar o sistema de proteção infanto-juvenil.
Macron enfatizou que o conjunto de mecanismos de proteção às crianças deve ser aperfeiçoado e fortalecido, para que futuras situações não avancem sem devidas respostas. A fala ocorreu numa altura em que as autoridades trabalham para entender o que correu mal neste caso.
Foi anunciada a abertura de um balanço da situação pela equipa do primeiro-ministro, com a presença dos ministros do Interior e da Justiça, Laurent Nuñez e Gérald Darmanin, respectivamente. A reunião é parte das diligências após a descoberta de um corpo que vestia roupas semelhantes às de Lyhanna.
O corpo foi encontrado pelos gendarmes num silo de uma exploração agrícola, junto à aldeia de Puycasquier, no departamento de Gers. A autópsia, marcada para o final da manhã, deverá confirmar a identidade e esclarecer as causas da morte. Também está em curso a avaliação de possível violência sexual, conforme indicado por fontes da gendarmaria.
Desdobramentos no caso
O principal suspeito é Jérôme Barella, de 41 anos, pai de dois filhos, com antecedentes de abusos sexuais de menores. Desde a imputação, ele não tem feito declarações perante a juíza de instrução e não respondeu a perguntas. O inquérito administrativo, anunciado por Nuñez, visa apurar eventuais falhas no tratamento de queixas contra o suspeito. Uma reunião de trabalho com todos os procuradores gerais está prevista para segunda-feira no Ministério da Justiça.
Reações políticas
Diversos potenciais candidatos à presidência de 2027 pedem reformas ao sistema judicial, com foco na proteção das crianças. Colocando a tónica na proteção das vítimas, defendem maior peso às denúncias e ao testemunho de menores. Figuras como Édouard Philippe, Bruno Retailleau e Jordan Bardella indicam necessidade de mudanças profundas.
Críticos do sistema também apontam falhas estruturais, enquanto defensores de políticas sociais pedem leis mais abrangentes contra a violência sexual. A Fundação para as Mulheres sublinha a urgência de melhorias no enquadramento jurídico e de maior eficácia na atuação policial.
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