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Lia Rodrigues afirma não ter tempo para temer a morte

Último capítulo da trilogia de Lia Rodrigues contrapõe a violência das necropolíticas a uma celebração da vida, levando a peça a Portugal, após a onda de mortes no Rio

Borda sobe aos palcos da Culturgest, em Lisboa, terça e quarta, e do Teatro Rivoli, no Porto, a 6 e 7
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  • Lia Rodrigues estreou no Brasil o capítulo final da trilogia dedicada às mitologias do país, apresentado na Favela da Maré.
  • A obra contrapõe às necropolíticas do Brasil com a força e a festa do coletivo.
  • A trilogia já tinha levado os espetáculos *Fúria* (2018) e *Encantado* (2021).
  • Coordenações oficiais indicam que, na megaoperação policial contra infiltrações do Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, foram registados 122 corpos; o governador Cláudio Castro qualificou o operativo como “sucesso”.
  • A nova produção chega a Portugal, continuando a reflexão sobre a relação entre yin e yang, tese e antítese.

Lia Rodrigues estreou no Brasil o capítulo final da sua trilogia dedicada às mitologias do país. O lançamento ocorreu num momento em que a megaoperação policial contra infiltrações do Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão provocava uma contagem de mortes, com 122 registos oficiais; o governo classificou a ação como “sucesso”.

A trilogia anterior, iniciada com Fúria (2018) e continuada com Encantado (2021), é apresentada pela companhia radicada na Favela da Maré. A nova produção aproxima a força da dança da reflexão sobre as tragédias vividas pela sociedade brasileira.

A peça chega a Portugal, inserindo-se na proposta de confrontar a barbárie com a força do coletivo, num diálogo entre mestiçagem cultural e resistência. O objetivo é mostrar como o corpo em movimento pode interpelar políticas públicas.

Contexto e percurso

A obra combina memória, ritual e coreografias intensas para discutir necropolítica e violência estrutural no Brasil. O projeto mantém a marca de Rodrigues de trazer bailarinos e comunidades para a cena, ampliando o alcance internacional da produção.

A apresentação em Portugal marca uma etapa da circulação internacional da trilogia, que já circulou por outras cidades. A diretora continua a explorar temas de resistência, memória e resistência coletiva por meio da dança.

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