- Os 193 Estados-membros votam na quarta-feira para escolher cinco dos dez lugares não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU; Portugal, Alemanha e Áustria disputam os dois lugares da Europa Ocidental e Outros Estados.
- Portugal concorre a um quarto mandato (2027-2028); o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, acompanha a votação, que é por voto secreto, e a candidatura foi lançada em 2013 com o lema “Prevenção, Parceria, Proteção”.
- António Monteiro, antigo representante de Portugal junto da ONU, alerta para uma eleição “perigosíssima”, com a Alemanha apontada como favoritária e a Áustria como concorrente também relevante.
- Analistas destacam que ocupar um assento não-permanente tem dimensão simbólica e pode dar visibilidade internacional, com maior peso junto de África, América Latina e Ásia.
- A votação é secreta, o que pode permitir apoios não declarados ou deserções de última hora; Portugal enfrenta uma competição difícil frente a dois adversários sérios, Alemanha e Áustria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem, nesta quarta-feira, uma votação secreta para preencher dois lugares de membros não permanentes para a Europa Ocidental e Outros Estados. Portugal, a Alemanha e a Áustria são candidatos a esses lugares, numa ligação competitiva que se prolonga desde 2013 para o mandato de 2027-2028. A delegação portuguesa é chefiada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Antigos diplomatas destacam a importância simbólica de um assento no CSONU, que também permite visibilidade internacional. Para Portugal, o histórico de campanhas, aliados tradicionais e prestígio internacional são apontados como vantagens. Contudo, avisam que a eleição é controversa e envolve fatores políticos globais que podem influenciar o resultado, incluindo votações secretas e desfechos inesperados.
Competidores e cenários
A Alemanha é descrita como um “membro semipermanente” no grupo, com uma campanha constante e forte apoio institucional, o que torna a competição particularmente intensa. A Áustria, também a avançar a campanha, afirma procurar diferencial estratégico no plenário.
Entrevistados enfatizam que o desempenho de Portugal depende de alianças regionais, relações com África, América Latina e Sudeste Asiático, bem como da forma como a posição portuguesa é recebida por blocos de países. A colagem a políticas de outros países é vista como fator de impacto no apoio internacional.
Perspectivas e cautelas
Especialistas com experiência na ONU apontam que o resultado depende de negociações entre múltiplos atores e que o voto é secreto. Mesmo com campanha sólida, não há garantias de vitória diante de dois adversários com campanhas fortes.
A escuta atenta de Portugal aos demais membros é destacada como instrumental para fortalecer a credibilidade do Conselho. Em caso de derrota, analistas sugerem que o país poderá manter o rumo diplomático para futuras oportunidades, mantendo o foco em causas globais.
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