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Soldados israelitas denunciam violência e ‘selva’ na Faixa de Gaza

Soldados israelitas denunciam violência na Faixa de Gaza e a ideia de uma “selva” na linha amarela, apontando falhas de regras e decisões sob pressão

Foto: Mohammed Abed/AFP
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  • Soldados israelitas denunciam violência na Faixa de Gaza, dizendo que viram companheiros celebrar após atingirem um veículo de palestinianos, com todas as pessoas no interior mortas.
  • Descrevem que tais cenas se tornaram comuns e que houve perseguições a quem atravessou ou se aproximou da linha amarela que separa áreas sob controlo israelita e palestiniano.
  • Afirmam que, após o cessar-fogo, foi dada a ordem de disparar a quem cruzasse a linha amarela.
  • Três soldados dizem que alguns comandantes fingiam concordar com o acordo, enquanto, em privado, desejavam que a guerra continuasse.
  • Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, mais de 900 pessoas morreram em Gaza; relatos de veteranos e da organização Breaking The Silence indicam que houve dificuldades em avaliar ameaças.

Três soldados israelitas descrevem um ambiente de violência crescente na Faixa de Gaza após o cessar-fogo, com relatos de ataques a veículos palestinianos e de mortes de pessoas no interior do território. As informações chegam à Associated Press (AP) através de depoimentos de militares.

Um dos soldados, com 20 anos, afirmou que viu companheiros celebrarem após atingirem um veículo com palestinianos, resultando na morte de todas as pessoas a bordo. Segundo ele, situações semelhantes tornaram-se frequentes durante o destacamento na região.

Os relatos sugerem uma prática de perseguição a pessoas que cruzam ou se aproximam da chamada linha amarela, que separa as áreas sob controlo israelita daquelas sob domínio palestiniano. O soldado descreveu a região como uma “selva” e citou ordens posteriores ao cessar-fogo de disparar a quem cruzasse a linha.

Contexto do cessar-fogo e divergências no terreno

Três militares indicaram à AP uma sensação de confusão entre as tropas, com regras sobre a linha amarela a parecer pouco claras. Segundo eles, alguns comandos pareciam concordar com o acordo publicamente, mas, em privado, desejavam que a guerra continuasse.

Relatos corroborados pela organização Breaking The Silence indicam que, por vezes, as tropas estavam distantes ou avaliavam rapidamente a situação, dificultando a identificação de quem era alvo. As informações faladas aos jornalistas alinham-se a denúncias anteriores de ex-militares sobre violações de direitos humanos.

Dados oficiais do Ministério da Saúde de Gaza apontam que, desde a implementação do cessar-fogo, mais de 900 pessoas morreram no território, com dezenas de óbitos ocorrendo perto da linha de confronto. O exército israelita mantém que a maioria das mortes associadas a cruzamentos da linha representam ameaças às suas tropas, enquanto testemunhos indicam falhas de avaliação sob pressão.

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