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Estudo aponta Gerês-Xurés como território promissor para nova floresta primária

Gerês-Xurés destaca-se como região promissora para a Nova Floresta Primária, exigindo núcleo estrito de 17.518 ha e desafios logísticos e de gestão

Parque Nacional Peneda-Gerês foi um dos territórios consumidos pelo fogo nos incêndios de 2025
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  • O estudo do Parlamento Europeu destaca o Gerês-Xurés como uma das regiões mais promissoras para criar novas florestas primárias na Europa Ocidental.
  • Propõe-se uma reserva de protecção estrita com 17.518 hectares (Categoria Ib da IUCN), rodeada por uma zona tampão de 75.255 hectares e por uma zona de transição socioeconómica de 175.227 hectares.
  • O Parque Nacional da Peneda-Gerês, ainda que protegido, está classificado na Categoria II (Parques Nacionais), que permite atividades humanas; o modelo proposto exige núcleo intocável mais restrito.
  • Obstáculos identificados: pastoreio contínuo, plantações de eucaliptos e coníferas no lado espanhol e uma estrada que atravessa a reserva, complicando o isolamento humano exigido pela floresta primária.
  • Em contexto europeu, o Bayerischer Wald-Šumava é atualmente o único território que cumpre rigorosamente os critérios; o estudo defende apoio da União Europeia e uso de redes de reservas estritas em zonas menos viáveis.

Um estudo do painel científico do Parlamento Europeu (STOA) aponta que a criação de Novas Florestas Primárias (NFP) na Europa Ocidental é viável e urgente para travar a perda de biodiversidade e mitigar as alterações climáticas. Entre as regiões consideradas está a paisagem transfronteiriça Gerês-Xurés, partilhada por Portugal e Espanha, que inclui o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

O documento avalia que, para ser viável, uma NFP deve ter dimensões significativas e condições ecológicas, socioeconómicas e políticas adequadas. O Gerês-Xurés surge como uma das áreas mais promissoras para acolher este projeto de grande escala.

A pesquisa define NFP como grandes áreas florestais com intervenção humana mínima, onde a natureza pode evoluir de forma quase natural. Conclui que reservas com pelo menos 70 mil hectares são viáveis na Europa Ocidental, desde que as condições estejam reunidas.

O Gerês já tem protecção, mas não a suficiente

O Parque Nacional da Peneda-Gerês integra a Rede Natura 2000 e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, conferindo-lhe reconhecimento de conservação. Contudo, segundo a IUCN, está classificado na Categoria II, que permite atividades diversas a par da proteção.

A categoria II contrasta com a Categoria I, que tem regras mais restritivas. A proposta do estudo é criar uma reserva de protecção estrita (Categoria Ib) de 17.518 hectares, unindo o sul do Gerês a Torneiros, em Espanha, mantendo o restante como zones tampão.

O que falta para cumprir critérios?

O núcleo central proposto não satisfaz ainda a protecção estrita da IUCN. Há pastoreio ativo e plantações de eucaliptos e coníferas no território espanhol, bem como uma estrada que atravessa a área, contrariando a exclusão de circulação admitida pela Categoria I.

O relatório indica que o Gerês precisa de tornar o núcleo realmente intocável, com áreas superiores a dez mil hectares, para ser considerado uma floresta primária. Propõe ainda um perímetro tampão de 75.255 hectares e uma zona de transição socioeconómica de 175.227 hectares.

Do ponto de vista ecológico, o Gerês-Xurés possui diversidade florestal, incluindo vestígios de carvalhais antigos. A baixa densidade populacional favorece a conservação, desde que se assegure o afastamento de atividades que prejudiquem a regeneração natural.

Obstáculos a superar

O estudo identifica o pastoreio contínuo como desafio para a regeneração, principalmente no planalto, favorecendo coníferas em detrimento de carvalhos. Existem também plantações privadas de eucaliptos e coníferas no lado espanhol, o que pode bloquear a recuperação natural sem acordos com proprietários.

O encerramento do trânsito na via que atravessa a área, EN 308-1 em Portugal e OR 312 em Espanha, representa outro obstáculo logístico e social, dado que liga diversas comunidades.

O contexto europeu

Entre as regiões avaliadas, o Bayerischer Wald-Šumava, entre Alemanha e República Checa, é o único território que cumpre de forma inequívoca todos os critérios, já possuindo um núcleo de 21 mil hectares sob protecção estrita. O Gerês-Xurés está entre as áreas consideradas promissoras, com resolução de conflitos por cumprir.

Os autores defendem que a gestão inicial — reversão de monoculturas, redução do pastoreio, restauração de espécies autóctones, apoio a predadores e gestão de herbívoros — pode acelerar a transição para florestas auto-reguladas.

Para zonas com densidade populacional elevada, o estudo sugere redes de pequenas reservas estritas como alternativa, já que grandes NFP podem não ser viáveis. A UE é chamada a financiar iniciativas locais e exigir protecção equivalente à Categoria Ib para núcleos de floresta primária, assegurando a sua integridade a longo prazo.

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