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Choques climáticos fragilizam sistemas em Gaza, alerta especialista

Choques climáticos agravam crises em Gaza; especialistas pedem integração completa da adaptação climática na ajuda internacional para evitar colapso de infraestruturas

Palestinianos inspecionam os escombros de um edifício destruído num ataque aéreo israelita em Nuseirat, centro da Faixa de Gaza, terça-feira, 26 de maio de 2026
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  • A guerra entre Israel e Gaza já gerou cerca de 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), com as operações militares ativas sozinharam mais de 1,3 milhões de toneladas de CO₂e.
  • Além disso, há emissões associadas à construção de infraestruturas defensivas e à reconstrução de estradas, edifícios e outras obras essenciais danificadas.
  • Especialistas defendem que a adaptação climática deve fazer parte da ajuda humanitária de forma permanente, para enfrentar crises agravadas pelo calor extremo e por infraestruturas fragilizadas.
  • O calor acima de 40 ºC e a chuva intensa aumentam riscos de desidratação, danos a reservas alimentares e doenças, com relatos de mortes por hipotermia entre crianças deslocadas.
  • A Organização Humanitária apela a investimentos em água e saneamento resilientes, maior vigilância de doenças e acesso a energia sustentável, como energia solar, para sustentar respostas humanitárias.

As alterações climáticas intensificam crises humanitárias em Gaza, agravando infraestruturas danificadas, calor extremo e surtos de doenças. A pesquisa da Queen Mary University of London aponta que o conflito já gerou cerca de 33 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Do total, mais de 1,3 milhões de toneladas de CO2e resultam de operações militares ativas, como artilharia e lançamentos de foguetes. Outros registos incluem emissões associadas à construção de defesas e à reconstrução de vias, edifícios e infraestruturas essenciais.

O estudo sublinha que o impacto ambiental da guerra tem vindo a ser ignorado, apesar de contribuir para as mudanças climáticas. O investigador Frederick Otu-Larbi critica a falta de transparência sobre emissões militares e defende que estas passem a integrar as contas de carbono.

Especialistas defendem que a adaptação climática passe a integrar de forma sistemática o apoio internacional, num momento em que custos de conflitos e aquecimento global se somam. Em Gaza, a combinação de calor extremo e infraestruturas danificadas aumenta a vulnerabilidade.

No verão, Gaza registou temperaturas acima de 40 ºC, elevando riscos de desidratação e afetando reservas alimentares. Milhares de deslocados enfrentaram o calor sem proteção adequada e com acesso limitado à eletricidade.

A Organização Meteorológica Mundial avisa que a probabilidade de pelo menos um dos próximos cinco anos exceder 1,5 ºC é elevada, com potencial de o ano mais quente já registrado ter repetição. A melhoria das condições climáticas depende de reduzir emissões e reforçar infraestruturas.

A crise hídrica, a escassez de água potável, o saneamento comprometido e o transbordo de esgotos aumentam os riscos de saúde pública. Doenças diarreias, hepatite A e infecções cutâneas têm sido associadas a estas condições, segundo autoridades humanitárias.

A UNICEF aponta que pelo menos 11 crianças morreram de hipotermia até fevereiro, devido ao frio, à chuva e ao vento. Cerca de 800 000 pessoas vivem em zonas sujeitas a inundações, representando quase 40 por cento da população de Gaza.

A organização humanitária SKT Welfare alerta para a necessidade de investir em água e saneamento resilientes, ampliar a vigilância de doenças e facilitar o acesso a energia sustentável, incluindo tecnologia solar. A sobrecarga de infraestruturas aumenta a propagação de enfermidades na passagem de crises.

Para o especialista entrevistado, é crucial que a adaptação climática deixe de ser vista como complemento da ajuda; passa a ser parte central da resposta humanitária, para que as comunidades enfrentem emergências sucessivas com menos recursos disponíveis.

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