- A guerra entre Israel e Gaza já gerou cerca de 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), com as operações militares ativas sozinharam mais de 1,3 milhões de toneladas de CO₂e.
- Além disso, há emissões associadas à construção de infraestruturas defensivas e à reconstrução de estradas, edifícios e outras obras essenciais danificadas.
- Especialistas defendem que a adaptação climática deve fazer parte da ajuda humanitária de forma permanente, para enfrentar crises agravadas pelo calor extremo e por infraestruturas fragilizadas.
- O calor acima de 40 ºC e a chuva intensa aumentam riscos de desidratação, danos a reservas alimentares e doenças, com relatos de mortes por hipotermia entre crianças deslocadas.
- A Organização Humanitária apela a investimentos em água e saneamento resilientes, maior vigilância de doenças e acesso a energia sustentável, como energia solar, para sustentar respostas humanitárias.
As alterações climáticas intensificam crises humanitárias em Gaza, agravando infraestruturas danificadas, calor extremo e surtos de doenças. A pesquisa da Queen Mary University of London aponta que o conflito já gerou cerca de 33 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
Do total, mais de 1,3 milhões de toneladas de CO2e resultam de operações militares ativas, como artilharia e lançamentos de foguetes. Outros registos incluem emissões associadas à construção de defesas e à reconstrução de vias, edifícios e infraestruturas essenciais.
O estudo sublinha que o impacto ambiental da guerra tem vindo a ser ignorado, apesar de contribuir para as mudanças climáticas. O investigador Frederick Otu-Larbi critica a falta de transparência sobre emissões militares e defende que estas passem a integrar as contas de carbono.
Especialistas defendem que a adaptação climática passe a integrar de forma sistemática o apoio internacional, num momento em que custos de conflitos e aquecimento global se somam. Em Gaza, a combinação de calor extremo e infraestruturas danificadas aumenta a vulnerabilidade.
No verão, Gaza registou temperaturas acima de 40 ºC, elevando riscos de desidratação e afetando reservas alimentares. Milhares de deslocados enfrentaram o calor sem proteção adequada e com acesso limitado à eletricidade.
A Organização Meteorológica Mundial avisa que a probabilidade de pelo menos um dos próximos cinco anos exceder 1,5 ºC é elevada, com potencial de o ano mais quente já registrado ter repetição. A melhoria das condições climáticas depende de reduzir emissões e reforçar infraestruturas.
A crise hídrica, a escassez de água potável, o saneamento comprometido e o transbordo de esgotos aumentam os riscos de saúde pública. Doenças diarreias, hepatite A e infecções cutâneas têm sido associadas a estas condições, segundo autoridades humanitárias.
A UNICEF aponta que pelo menos 11 crianças morreram de hipotermia até fevereiro, devido ao frio, à chuva e ao vento. Cerca de 800 000 pessoas vivem em zonas sujeitas a inundações, representando quase 40 por cento da população de Gaza.
A organização humanitária SKT Welfare alerta para a necessidade de investir em água e saneamento resilientes, ampliar a vigilância de doenças e facilitar o acesso a energia sustentável, incluindo tecnologia solar. A sobrecarga de infraestruturas aumenta a propagação de enfermidades na passagem de crises.
Para o especialista entrevistado, é crucial que a adaptação climática deixe de ser vista como complemento da ajuda; passa a ser parte central da resposta humanitária, para que as comunidades enfrentem emergências sucessivas com menos recursos disponíveis.
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