- Países da União Europeia defendem unidade para evitar cair na “armadilha” de discutir quem será o enviado especial para negociar com o Kremlin, destacando que o mandato importa mais do que a pessoa.
- Alta Representante da UE, Kaja Kallas, defendeu que as negociações são um trabalho de equipa e que o conteúdo vale mais do que quem está na mesa, reagindo à sugestão de Schröder como mediador.
- Vários ministros apelaram a uma posição europeia única, afirmando que a falta de unidade favorece a Rússia e enfraquece a Ucrânia, e que o mandato deve ser claro antes de nomear alguém.
- O debate ganhou novo impulso após Zelensky pedir uma atuação mais ativa europeia, com nomes como Alexander Stubb, António Costa, Mario Draghi e Angela Merkel mencionados como possíveis candidatos.
- Entre as posições, os responsáveis sublinharam a necessidade de um mandato preciso, de falar em voz única e de passos concretos que complementem o processo de paz liderado pelos EUA, sem iniciar uma corrida para escolher quem negocia.
O debate entre os países da UE sobre quem deve ser o enviado especial para negociar com o Kremlin ganhou ritmo numa reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros em Chipre. A controvérsia manteve-se nula na prática, com os ministros a sublinhar que o mandato prevalece sobre a pessoa.
Kaja Kallas, Alta Representante da UE, recusou a ideia de indicar um mediador específico, considerando-a uma armadilha da Rússia para dividir os Estados-membros. A líder estónia sugeriu tratar as negociações com uma postura de unidade europeia, destacando que o conteúdo tem mais peso que quem participa.
Na reunião, esteve em foco a ideia de uma abordagem coletiva, evitando distinções entre “bons” e “maus” interlocutores e reforçando que o resultado depende do conteúdo do acordo. Kallas circulou um documento confidencial com concessões e metas que a UE deverá exigir à Rússia.
Aminharam-se também avisos de que a divisão interna favorece Moscovo e enfraquece a Ucrânia. Deputados de vários Estados esclareceram que é essencial falar a uma só voz para evitar contraditório interno entre os 27.
Uma só voz europeia
Os ministros destacaram que o timing é crucial, especialmente após a decisão dos EUA de suspender a participação no processo. A prioridade é manter pressão sobre a Rússia e sustentar o apoio à Ucrânia, de forma a favorecer uma negociação realista.
O debate surgiu após avanços recentes no interesse de alguns Estados em conversações diretas com a Rússia, com várias referências a nomes como figuras políticas de alta projeção internacional. A prioridade, segundo os diplomatas, é definir um mandato claro antes de indicar qualquer enviado.
A ministra sueca defendeu cautela para não se permitir que a Rússia determine as condições, apelando a uma abordagem que maximize a pressão e favoreça avanços humanos, como libertação de detidos e corredores de ajuda humanitária. O objetivo é encontrar condições que incentivem a paz pelo lado ocidental.
O ministro italiano sublinhou que um acordo de paz exige uma posição europeia unificada, destacando a importância de a UE estar à mesa. A ideia é evitar que a União seja outsider no processo, que se pretende ganhar consistência antes da cimeira de líderes prevista para meados de Junho.
Andrii Shyiiba, ministro ucraniano, reiterou que a prioridade é estabelecer passos exequíveis que reforcem o processo de paz liderado pelos EUA, sem sobrepor esse esforço. Entre os objetivos citados estão a libertação de civis, a desmilitarização de instalações estratégicas e a criação de corredores humanitários.
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