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Exército do Mali usa bombas de fragmentação soviéticas e drones russos contra rebeldes

Operação de bombardeamento com bomba de fragmentação soviética e drones russos marca escalada no Sahel, após assassinato do ministro da Defesa do Mali

Funeral de Estado do ministro da Defesa do Mali, general Sadio Camara, morto no ataque conjunto de tuaregues e jihadistas a 25 de Abril
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  • O Exército do Mali utilizou uma bomba de fragmentação RBK-500, fabricada na União Soviética em 1981, para bombardear Tadjmart, na região de Kidal, Norte do Mali.
  • As bombas de dispersão são proibidas pela Convenção de Munições de Dispersão, à qual o Mali é signatário; a Rússia não adere a essa convenção.
  • Este é o primeiro uso conhecido deste tipo de arma desde o início do conflito no Norte do Mali, em 2012, com potencial de danos colaterais prolongados.
  • A aliança com Moscovo inclui drones Shahed-136 e apoio militar, com drones abatidos recentemente por forças tuaregues, evidenciando a presença russa no Sahel.
  • O ministro da Defesa do Mali, general Sadio Camara, morreu num ataque conjunto de tuaregues e jihadistas a 25 de abril; segundo o ACLED, jihadistas da região usam drones e representam uma ameaça crescente na África.

O Exército do Mali utilizou uma bomba de fragmentação fabricada na União Soviética em 1981 para bombardear a localidade de Tadjmart, no Norte do Mali, região de Kidal. O alvo está hoje sob controlo de forças tuaregues independentistas e de jihadistas ligados à Al-Qaeda. A bomba é proibida pela Convenção de Munições de Dispersão, da qual o Mali é signatário, mas a Rússia não está.

Esta é a primeira evidência confirmada do recurso a este tipo de arma desde o início do conflito no Norte do Mali, em 2012. O uso de fragmentação eleva o risco de danos civis, já que as explosões se dispersam por áreas alargadas e muitos explosivos podem não deflagrar, prolongando o perigo para a população.

Segundo investigações da Bellingcat e da Jeune Afrique, a ogiva em causa é uma RBK-500, com dispensador capaz de lançar até 565 submunições ShOAB-0,5. Há relatos de outra bomba semelhante na região de Tombuctu, segundo as fontes.

Aliança com Moscovo e drones

Após golpes militares de 2020 e 2021, o regime Mali permitiu que forças ocidentais se afastassem, aproximando-se de parceiros russos. Além das RBk-500, também se refere o fornecimento de drones Shahed-136, de fabrico russo com componentes iranianos e chineses. A queda de um drone abatido na semana passada confirmou a presença de equipamento russo no teatro do Sahel.

Vladyslav Vlasiuk, comissário ucraniano para a Política de Sanções, afirmou que a Rússia transfere cada vez mais tecnologia militar para África, através de componentes de dupla utilização que chegam às fabricações russas. Componentes de origem chinesa foram encontrados no drone abatido, entre eles microchips, transístores e díodos de várias marcas.

Contexto regional e impacto

De acordo com ACLED, a ameaça jihadista na África, especialmente no Sahel, está entre as mais significativas do mundo. Grupos ligados ao Islamic State e à Al-Qaeda operam por toda a região, com redes que ultrapassam fronteiras nacionais. O JNIM, surgido da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico, tem mobilizado drones para ataques.

O JNIM consolidou alianças com grupos locais, incluindo forças tuaregues, para operações de grande envergadura. O grupo realizou a ofensiva de 25 de Abril no Norte do Mali, que resultou na morte do ministro da Defesa, general Sadio Camara, principal artífice da aproximação ao Russia. O aumento do uso de drones pelo JNIM e por outros grupos tem sido acompanhado por um recrudescimento das táticas no Sahel.

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