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Chacal pode expandir-se até 75% da Europa com apoio humano

Chacal-dourado pode ocupar até setenta e cinco por cento da Europa; expansão depende de lobos e do “escudo humano”, com Portugal no sul da Península Ibérica com potencial avanço

O chacal-dourado alimenta-se sobretudo de pequenos mamíferos e de carcaças
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  • Um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution afirma que o chacal-dourado pode ocupar até 75% da Europa, incluindo Portugal e Espanha, com mais de 2,4 milhões de quilómetros quadrados considerados adequados.
  • A análise baseia-se em 8.991 estações de escuta, distribuídas por 13 países entre 2001 e 2017, para detetar respostas vocais de grupos territoriais e modelar a distribuição provável.
  • O lobo surge como principal travão ecológico à expansão; a presença de lobos reduz a probabilidade de chacal, mas existe um “efeito de escudo humano”: chacais aproximam-se de aldeias quando os lobos são regulares, procurando refúgio junto de pessoas.
  • Factores ambientais ajudam a explicar a expansão: a duração da neve, o coberto florestal e a proximidade a água; continua a haver grandes áreas não ocupadas com potencial, especialmente na Europa central, meridional e ocidental, incluindo França e a Península Ibérica.
  • Os investigadores destacam que a expansão não é iminente para Portugal; eventuais registos de chacais seriam de dispersão de indivíduos, não de uma frente de instalação relevante, e poderão exigir tempo para estabilizar populações na França e Espanha antes de chegar ao território português.

O chacal-dourado pode expandir-se até 75% da Europa, aponta um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution. A avaliação estima que mais de 2,4 milhões de km² de paisagens, com especial destaque para Portugal e Espanha, sejam adequadas à espécie. O trabalho usa dados de 13 países entre 2001 e 2017.

O estudo recorreu a 8991 estações de escuta para detectar chamadas de grupos territoriais e modelar a distribuição provável do Canis aureus. Os resultados sugerem que a Península Ibérica pode tornar-se uma zona com elevado potencial de ocupação futura.

O papel do lobo e o efeito humano

Os lobos emergem como o principal travão à expansão, reduzindo a probabilidade de presença do chacal onde existem predadores de topo. Em áreas sem lobos, o chacal pode ser mais frequente; com lobos estáveis, a presença diminui.

Além disso, a interação com humanos altera o padrão de resposta do chacal. Em áreas próximas a aldeias, os animais podem usar refúgios junto a habitações para evitar predação, especialmente quando há atividade de lobos regular.

Implicações para a Península Ibérica

A análise aponta que, no modelo, a maior probabilidade de ocorrência na Península Ibérica está na região sul de Portugal, sobretudo no Alentejo, onde condições ecológicas são favoráveis e a ausência de populações estáveis de lobo persiste. Não há indicação de expansão rápida ou iminente.

Os autores alertam que a recuperação de lobos na Europa pode limitar áreas adequadas no curto prazo. Contudo, um efeito de escudo humano, aliado a alterações climáticas e à transformação da paisagem, pode sustentar a expansão do chacal em escala continental.

Perspetivas futuras

Segundo o estudo, ainda existem grandes áreas não ocupadas na Europa central, meridional e ocidental que podem tornar-se adequadas. A progressão gradual dependerá da estabilização de populações de lobos e da forma como as áreas urbanas influenciam o comportamento do chacal.

Os investigadores destacam que a exploração de novas regiões, incluindo França e Espanha, pode preceder qualquer entrada significativa em Portugal. Caso haja registos, estes deverão corresponder a dispersões isoladas de animais.

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