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Canal+ processado por discriminação após resposta ao coletivo Zapper Bolloré

LDH e CGT Spectacle acionam Tribunal contra Canal+ por discriminação de signatários do manifesto anti-Bolloré, visando anular a decisão de Saada

Maxime Saada, presidente executivo do Canal+, assiste ao lançamento do Conselho Empresarial Franco-Sul-Africano, em Pretória, a 21 de novembro de 2025.
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  • A Liga dos Direitos Humanos (LDH) e a CGT Spectacle anunciaram uma ação cível no tribunal de Nanterre contra a Canal+, alegando discriminação contra signatários de um manifesto anti-Bolloré, após a decisão da operadora de deixar de trabalhar com esses subscritores.
  • As organizações denunciam que Maxime Saada, presidente da Canal+, “discriminou com base numa expressão política e sindical” para silenciar vozes da indústria face à influência do empresário Vincent Bolloré.
  • A ação tem dois objetivos: anular a decisão de Saada sob pena de multa e nomear um mandatário para averiguar eventuais discriminações no grupo Canal+.
  • Está emponderada também a possibilidade de apresentar uma queixa junto da Comissão Europeia por abuso de dependência económica, enquadrando a Canal+ num movimento de concentração das indústrias culturais em torno de Bolloré.
  • O anúncio surge pouco antes da Palma de Ouro de 2026, em pleno Festival de Cannes, com apoio de figuras internacionais ao coletivo Zapper Bolloré.

A Liga dos Direitos Humanos (LDH) e a CGT Spectacle anunciaram uma ação cível no tribunal judicial de Nanterre contra a Canal+. Os dois movimentos denunciam discriminação contra signatários de um manifesto anti-Bolloré, após a Canal+ ter decidido não trabalhar com esses subscritores. A iniciativa foi comunicada este sábado.

No texto divulgado pela LDH e pela CGT Spectacle, intitulado Nenhuma discriminação tem lugar no cinema, acusam Maxime Saada, presidente do conselho de administração da Canal+, de discriminar por expressão política e sindical para silenciar vozes críticas à influência de Vincent Bolloré na indústria. A defesa sustenta uma decisão considerada inaceitável e brutal.

A LDH e a CGT Spectacle destacam que a reação não é apenas pontual, apontando o papel do grupo no financiamento de filmes em França e a dependência de muitos operadores na cadeia de produção. Em comunicado, o presidente da Canal+ afirmou que não pode colaborar com quem o qualificou de criptofascista, numa resposta considerada por as organizações como provocação a críticas de cerca de 600 signatários.

Medidas legais em curso

A ação cível, dirigida pelo advogado Arié Alimi, visa anular a decisão de Saada sob pena de multa e nomear um mandatário para verificar eventuais discriminações no seio do Canal+. A LDH adianta que poderá também avançar com uma queixa à Comissão Europeia por abuso de dependência económica, num movimento de concentração induzido por Bolloré.

A presidente da LDH, Nathalie Tehio, mostrou-se disponível para uma vigilância que pode envolver trabalhadores da Canal+ ou intervenientes externos, com a decisão a ficar a cargo do tribunal. O caso surge a poucos dias da Palma de Ouro de 2026 e no contexto de críticas surgidas durante o Festival de Cannes.

Entre apoios internacionais, figuras como Javier Bardem e Ken Loach aderiram ao movimento Zapper Bolloré, que incentiva a contestação à influência do empresário francês. A Canal+ ainda não emitiu um esclarecimento adicional sobre o processo.

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