- O advogado Gonçalo Trindade Ferreira comprou 784 exemplares do livro de José Sócrates, “A Confiança no Mundo – Sobre a Tortura em Democracia”, a mando de Carlos Santos Silva, durante a sessão do julgamento da Operação Marquês.
- A compra foi realizada com dinheiro transferido por Santos Silva para as contas de Trindade Ferreira, que chegou a usar cartões de desconto de outras pessoas.
- O arguido afirmou ter percebido que havia muitas pessoas a comprar o livro, com Santos Silva a entregar-lhe o dinheiro e Trindade Ferreira a entregar os livros ao engenheiro ou à engenheira Inês do Rosário, mulher de Santos Silva.
- O processo também envolve o contrato da casa de Paris entre Santos Silva e José Sócrates, admitindo Trindade Ferreira que o acordo só foi assinado depois de notícias do Correio da Manhã sobre a morada em Paris, com o nome do ex-primeiro-ministro inicialmente ocultado.
Ao longo desta sessão do julgamento da Operação Marquês, ficou confirmado que 784 exemplares do livro de José Sócrates, A Confiança no Mundo – Sobre a Tortura em Democracia, foram adquiridos por Gonçalo Trindade Ferreira a mando de Carlos Santos Silva. A aquisição ocorreu numa altura em que o tribunal analisa diversas operações ligadas ao caso.
Segundo o arguido, o dinheiro para a compra foi assegurado por Santos Silva e os livros foram entregues ao engenheiro ou à sua mulher, Inês do Rosário. A transação ocorreu num contexto em que o envolvimento financeiro de Santos Silva com o operado é alvo de escrutínio no âmbito da investigação.
O arguido explicou ainda que detectou um volume significativo de compras do mesmo livro, o que coincidiu com a participação de Santos Silva no esquema. A explicação dada envolve o fluxo de fundos entre contas e a intermediação de terceiros na gestão dos títulos.
Contrato da casa em Paris e ocultação do arrendatário
O advogado de Santos Silva também admitiu que o contrato de arrendamento de uma casa em Paris foi celebrado apenas após as primeiras informações do Correio da Manhã sobre a morada de Sócrates na capital francesa. Nesse período, o nome do ex-primeiro-ministro como arrendatário foi ocultado numa fase inicial.
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