- Investigadores da Universidade da Pensilvânia criaram o ApexGO, uma ferramenta de IA generativa que concebe e acelera o desenvolvimento de novos antibióticos a partir de peptídeos.
- O sistema permite otimizar compostos existentes e transformar modelos moleculares em candidatos terapêuticos reais com maior velocidade e precisão.
- Em testes de laboratório, a IA reduziu o tempo de desenvolvimento de anos para apenas algumas horas, validando muitos candidatos experimentalmente.
- Os resultados destacam maior eficácia contra bactérias Gram-negativas, um grupo particularmente difícil de tratar em infeções hospitalares.
- Os dados foram publicados na revista Nature Machine Intelligence, destacando o potencial da IA para orientar o design, fabrico e validação de novos antibióticos.
Investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de IA generativa capaz de conceber e acelerar o desenvolvimento de novos antibióticos. O objetivo é enfrentar infecções resistentes a fármacos com soluções mais rápidas e eficazes. A notícia foi reportada pela agência Efe na quarta-feira.
O sistema, batizado ApexGO, foca-se em peptídeos, pequenas moléculas parecidas com proteínas que podem atuar como antibióticos. Em vez de apenas pesquisar moléculas já conhecidas, o ApexGO sugere alterações que podem aumentar a eficácia contra bactérias nocivas.
Liderados pelo investigador espanhol César de la Fuente, os cientistas transformam modelos moleculares em candidatos terapêuticos reais com velocidade e precisão sem precedentes. A validação em laboratório mostrou que a IA pode reduzir anos de investigação para apenas algumas horas.
ApexGO: como funciona e porquê importa
A ferramenta parte de modelos de peptídeos promissores e aprende padrões a partir das suas sequências, propondo novas versões com maior probabilidade de funcionar. Em testes iniciais, começaram com 10 peptídeos básicos e geraram 100 variantes para avaliação laboratorial.
Para avaliar a utilidade, os investigadores verificaram a capacidade de combate, a estrutura formada e o potencial de toxicidade em células. Resultados obtidos mostram desempenho particularmente favorável contra bactérias Gram-negativas, entre as mais difíceis de tratar.
Os autores ressaltam que o ApexGO demonstra que a IA pode ir além de prever moléculas com potencial terapêutico: pode orientar o desenho, facilitar a síntese dos compostos e acelerar a validação experimental. O estudo está publicado na revista Nature Machine Intelligence.
Marcelo Torres, outro investigador, aponta que encontrar novos antibióticos costuma ser lento e dispendioso. A equipa sublinha que a IA pode orientar o design, fabricar os compostos mais promissores e validá-los experimentalmente, num avanço relevante face à resistência global aos antibióticos.
Entre na conversa da comunidade